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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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GDF avalia distribuir caneta emagrecedora pelo SUS, mas custo preocupa governo federal

O uso de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS) voltou ao centro do debate após o Governo do Distrito Federal (GDF) sinalizar que estuda oferecer medicamentos injetáveis para perda de peso na rede pública. A proposta envolve a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e reacende discussões sobre custo, critérios de acesso e impacto orçamentário.

Segundo informações divulgadas pelo GDF, a intenção é analisar a inclusão do medicamento em protocolos de atendimento voltados a pacientes com obesidade mórbida. O Distrito Federal tem cerca de 3 milhões de habitantes, o que amplia a preocupação com a viabilidade financeira da medida.

A governadora em exercício, Celina Leão, afirmou que a iniciativa é tratada como uma política pública de saúde, com o objetivo de ampliar o acesso a uma tecnologia considerada avançada para pessoas que não conseguem arcar com o alto preço do tratamento. A avaliação do governo local também considera a possibilidade de redução de cirurgias bariátricas e de complicações associadas ao excesso de peso.

Em nota, a Secretaria de Saúde do DF informou que recebeu a solicitação para a elaboração de um estudo técnico sobre o tema. O levantamento ainda está em andamento e, somente após a conclusão, serão divulgadas informações sobre eventual incorporação do medicamento, protocolos clínicos e critérios de elegibilidade.

Custo é principal entrave

O Ministério da Saúde afirma que as canetas emagrecedoras não integram a lista de medicamentos do SUS e alerta para um impacto orçamentário que pode chegar a R$ 8 bilhões. A pasta também informou que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) não recebeu pedido formal para a inclusão da tirzepatida.

Em avaliações anteriores, a Conitec já se manifestou de forma contrária à incorporação de medicamentos da mesma classe, como semaglutida e liraglutida, citando impacto financeiro elevado — superior ao orçamento anual do programa Farmácia Popular.

O Mounjaro é considerado um medicamento de alto custo, comercializado em caixas com quatro canetas para um mês de uso, com valores que ultrapassam R$ 2 mil, a depender da dosagem. O produto foi aprovado pela Anvisa para o tratamento da obesidade no Brasil em 2025.

Tratamento da obesidade no SUS

Atualmente, o cuidado da obesidade no SUS começa na atenção primária, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), com acompanhamento multiprofissional que inclui nutricionistas e psicólogos. Em casos mais graves, o paciente pode ser encaminhado para serviços especializados, como a cirurgia bariátrica.

Estados, municípios e o Distrito Federal podem adotar listas complementares de medicamentos para fornecimento no SUS, mas, nesses casos, a aquisição e o custeio ficam sob responsabilidade do próprio ente federativo.