Rio Branco
20°C
sexta-feira, 26 de junho de 2026
06:46

Fim da escala 6×1 gera reação do setor produtivo, que vê risco ao emprego formal

Entidades empresariais intensificaram a mobilização em Brasília contra propostas de redução da jornada de trabalho que incluam o fim da escala 6×1. Em manifesto divulgado nesta terça-feira (3), representantes da indústria, do agronegócio, do comércio, dos transportes e de serviços alertam para possíveis impactos sobre o emprego formal e a produtividade.

O documento foi articulado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e reúne cerca de 100 instituições do setor produtivo. As entidades afirmam ser favoráveis à modernização das regras trabalhistas, mas defendem que eventuais mudanças considerem previamente os efeitos econômicos e as particularidades de cada segmento.

Equilíbrio entre qualidade de vida e atividade econômica

No texto, os signatários sustentam que a atualização da jornada deve buscar equilíbrio entre melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e preservação da atividade econômica.

“Modernizar a jornada não significa escolher entre qualidade de vida e atividade econômica. Significa construir um caminho em que o trabalhador possa viver melhor sem que o emprego formal se torne mais escasso ou mais instável”, afirma o manifesto.

As entidades também ressaltam que o debate não pode se restringir ao objetivo final da proposta, mas deve considerar como a mudança seria implementada.

“É necessário reconhecer que a forma como a mudança é implementada importa tanto quanto o objetivo que se busca alcançar”, diz outro trecho da nota.

Participação da CNA e da FPA

Entre as instituições que participam da articulação está a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que esteve presente em reunião da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) com a Coalizão de Frentes Produtivas para discutir o tema.

A CNA foi representada pelos vice-presidentes Humberto Miranda e Marcelo Bertoni, além do diretor jurídico Rudy Ferraz. Durante o encontro, Miranda destacou que a proposta tem impacto direto sobre trabalhadores, empregadores e a dinâmica econômica, e que há grande diversidade entre os setores — inclusive dentro do agronegócio.

O presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), defendeu mais diálogo e uma modernização construída de forma técnica.

Debate técnico e fora do ambiente eleitoral

O encontro contou ainda com a participação do professor José Pastore, especialista em relações do trabalho, convidado para analisar os possíveis efeitos da redução da jornada nos diferentes setores da economia.

No manifesto, as entidades apontam quatro pilares que devem orientar a discussão:

  • preservação do emprego formal;
  • produtividade como base do desenvolvimento econômico;
  • diferenciação entre os setores da economia;
  • uso da negociação coletiva como instrumento de adaptação.
  • O documento também recomenda que o debate avance fora do ambiente eleitoral, em um contexto que favoreça a construção de consensos duradouros e soluções consideradas equilibradas pelo setor produtivo.