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sábado, 27 de junho de 2026
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Acisa aponta que falta de fiscalização e contrabando diminuem 60% das vendas no Acre

Segundo a Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agrícola do Acre (Acisa), o contrabando de produtos trazidos da Bolívia e Peru, que fazem fronteira com o estado, faz com que o volume de vendas do comércio local registre diminuição de 60% anualmente. A entidade aponta que a falta de fiscalização nas fronteiras acreanas é o principal fator para que mercadorias ilegais entrem com facilidade nas cidades acreanas e prejudiquem de forma significativa a economia.

A entidade afirma que tem recebido constantes denúncias, feitas por empresários de diversos setores econômicos, que o posto da Polícia Rodoviária Federal no Acre (PRF-AC) na cidade de Brasileia, no Alto Acre, encontra-se fechado e a barreira da Polícia Militar não realiza a fiscalização devida nos veículos que passam pelo local. Para a associação, a ausência de policiamento no local também contribui para que os contrabandistas atuem sem medo no estado.

“Eu mesmo estive em Brasileia recentemente e das vezes que passei no posto da PM não fui abordado uma única vez, além do posto da PRF-AC fechado. Isso faz com que milhares de produtos de entrem ilegalmente no Acre e tire a competitividade do empresariado, já que eles são vendidos abaixo do preço de mercado. No segmento de reposições de pneu de carros, por exemplo, a cada 10 trocados seis são da Bolívia”, afirma o presidente da Acisa, Celestino Oliveira.

O representante da associação cobra que providências sejam tomadas. Ele afirma que a fragilidade nas fronteiras acreanas representa uma ameaça ao estado, já que isso facilita o contrabando que gera perdas que afetam em áreas como a educação, saúde e segurança local. Outro alerta é o prejuízo fiscal ao Estado, já que o dinheiro fica em outro país e não dá retorno para a sociedade. “Está tudo muito solto, os bolivianos oferecem entrega de pneus em Brasileia“, afirma Oliveira.

Ele enfatiza que a falta de arrecadação além de prejudicar o Estado acreano faz com que muitos empregos deixem de ser gerados e que diversos empreendimentos encerrem as atividades. O presidente da Acisa acredita que caso a situação seja revertida, a economia acreana registrará recuperação. Dados da entidade apontam que caso o volume de vendas fosse 40% superior do que é registrado atualmente, cerca de 90 empregos diretos seriam gerados no setor do comércio local.

De acordo com a Acisa, 80% das bebidas comercializadas no Acre, com exceção de refrigerantes e cervejas, são provenientes da Bolívia. Oliveira ressalta que este é o momento de alertar os governantes para que tomem providências em relação a situação, já que ele cobra ações policiais integradas e mais contundentes na fiscalização das fronteiras acreanas. “Com a flexibilidade nas fronteiras, armas, drogas e munições circulam facilmente no país, aumentando o volume de recursos do contrabando e dando musculatura para organizações criminosas”, diz.

O Jornal Opinião entrou em contato com a Polícia Rodoviária Federal no Acre para buscar um posicionamento sobre o assunto. A Assessoria de Comunicação do órgão afirmou que a instituição se posicionará na manhã desta terça-feira, 18, em coletiva de imprensa na sede da PRF-AC em Rio Branco. Procurada, a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) informou que a Polícia Militar deve se posicionar também nesta terça.