As novas regras adotadas pelo Governo Federal para o Mais Médicos no Brasil exclui do programa as cidades que tem acima de 300 mil habitantes, com isso Rio Branco será atingida e os contratos em andamento não serão renovados na capital do Acre. O resultado é que a rede pública de saúde do município vai perder até junho do ano que vem, 53 profissionais. Serão 42 mil consultas a menos, realizadas todos os dias nas unidades de saúde de Rio Branco sem esses médicos que não serão recontratados.
A medida gerou polêmica entre a população e divide opinião entre os profissionais da área. O médico endocrinologista Ricardo Teles, diz ser contra o programa Mais Médicos, o profissional explica que o propósito apresentado para a criação do programa não foi correto, de que seria implementado para suprir a falta de médicos nos municípios e levar atendimento aos locais mais distantes do Brasil. Na opinião do médico a estratégia não foi acertada. Ele atesta que a responsabilidade de suprir essa demanda deve ser dos municípios e não do governo federal e explica como, em sua opinião, o problema deve ser solucionado.
“O que falta mesmo é estímulo estrutural e salarial para que os médicos formados aqui na capital sejam distribuídos para o interior do estado. A medicina está cada vez mais judicializada e o médico é o principal alvo dela. Os municípios do interior não oferecem estrutura necessária para os profissionais trabalharem. E se alguém morre nas mãos de um médico no interior por falta de estrutura, seja do hospital ou por falta de medicamentos, o médico será responsabilizado pela promotoria especializada e pelo seu próprio Conselho Regional e Federal de Medicina, pois ele arcou com a responsabilidade de atender em local que não tinha estrutura”, explica o profissional.
A solução, segundo Ricardo Teles, é além de oferecer melhores de condições de trabalho para que os médicos possam exercer a profissão, que sejam criados incentivos para esses profissionais, como por exemplo, a carreira para médicos nos estados, assim os profissionais aprovados em concursos teriam a obrigação de prestar serviços primeiro no interior e a medida da progressão da carreira seriam remanejados para mais perto, como acontece com juízes e promotores de justiça.
Mais de 400 médicos já se formaram no Acre, mas a maioria não fica no estado
Rio Branco possui curso de medicina na Universidade Federal do Acre desde 2007, segundo informações da coordenação do curso, em média formam 40 médicos todos os anos na UFAC. Nesses 11 anos de curso de medicina no Acre, cerca de 400 alunos que ingressaram na universidade concluíram a graduação. O Centro Universitário Uninorte abriu sua primeira turma para o curso de medicina no estado em 2014. A turma iniciou com 81 alunos e hoje tem mais de 300 estudando. A expectativa é de que essa primeira turma da Uninorte conclua a graduação em 2020. Segundo a Assessoria de Comunicação da Uninorte, a maioria dos estudantes de medicina da faculdade é natural de Rondônia e do Acre.
Em tese esses mais de 400 médicos formados no Acre seriam a solução para o problema de falta de profissionais na capital e no interior. Entretanto, segundo o Conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Acre-CRM, Alan Areal, atualmente existem aproximadamente mil médicos ativos, a maioria desses profissionais está registrada e atuando em Rio Branco, mas a baixa oferta de médicos no mercado, sobretudo de especialistas como pediatras, ginecologistas e obstetras, para atuar na rede pública da capital e no interior do estado é sentida pela população e destacada pelas autoridades da área de saúde a nível estadual e municipal como um dos maiores problemas hoje da gestão.
“Muitos médicos que se formam pela Universidade Federal do Acre não ficam em nosso estado, a grande maioria porque são oriundos de outros estados e preferem voltar para perto da família, ou por melhores ofertas salariais, também para buscar fazer especialidade, isso leva os profissionais a saírem do Acre, e isso é preocupante”, finalizou Alan Areal.
Defensor do Mais Médicos, o clínico geral fala da gratidão que tem pelo Acre
O clínico geral Glauber Alves de Lucena, é medico do Programa Mais Médicos e atua em Rio Branco, na unidade de saúde José Gomes, no bairro Plácido de Castro, região da Sobral, uma das mais populosas da cidade. A unidade é referenciada para atender 2200 famílias da região. Ele é defensor do Mais Médicos. Relata que o programa atende a população que mais precisa, aqueles que vivem distantes dos grandes centros e que mais necessitam de atendimento médico.
Glauber Lucena é natural de Brejo Santo, no Ceará, mas se formou em medicina pela Universidade Federal do Acre. Ele diz que após ter concluído o curso decidiu ficar no Acre porque se sentiu acolhido aqui e porque tem muita gratidão ao estado que ele conseguiu realizar o sonho de criança, que era ser médico.
“Eu acredito muito no programa Mais Médicos e lamento a decisão que só vai prejudicar os que mais precisam. Penso que deveria ter um olhar diferenciado para as regiões mais carentes porque quem vai sofrer é a população, temos uma carência de médicos. Sabemos que a maioria que se forma aqui infelizmente vai para outros estados. Quando me formei eu queria prestar serviço aqui em gratidão a população do Acre”, finaliza Glauber Lucena, médico do Mais Médicos.






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