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terça-feira, 7 de julho de 2026
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Ex-superintendente do Ibama no Acre e mais 14 pessoas são presas por corrupção

O ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Acre, Carlos Francisco Augusto Gadelha, e mais 14 pessoas foram presas pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira, 8, durante a Operação Ojuara. Deflagrada pela manhã, a ação se estendeu até a noite e desarticulou uma organização criminosa que praticava crimes ambientais, lavagem de dinheiro e corrupção dentro do órgão no Acre, Amazonas e Minas Gerais.

De acordo com a PF, 18 mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão, além de outras diligências, foram cumpridos. Realizada nos três estados, a operação prendeu servidores do Ibama, policiais militares do Amazonas, fazendeiros e o ex-superintendente. Os suspeitos são acusados de crimes ambientais e corrupção. O esquema funcionava com fazendeiros invadindo áreas de preservação ambiental previstas em lei para desmatar e fazer pastos para criação de gado.

Além da derrubada da floresta, eles ameaçavam e expulsavam moradores das localidades para se apropriar das terras. Segundo a PF, eles eram protegidos por policiais militares do Amazonas, que recebiam propina para fazer o serviço, e conseguiam escapar das multas com ajuda de funcionários do Ibama. O ex-superintendente do órgão no Acre tinha ciência da situação. Juntos, os suspeitos receberam R$ 147 milhões em multas devido ao desmatamento de 86 mil hectares.

Os funcionários do Ibama presos ajudavam os fazendeiros a se livrarem das multas aplicando as penalidades em nome de laranjas para que os verdadeiros responsáveis não fossem punidos. Além disso, os servidores do órgão recebiam vantagens financeiras indevidas, conforme aponta a Polícia Federal, para informar sobre datas e locais das fiscalizações ambientais e operações do Ibama. Fora isso, eles deixavam de apreender maquinário utilizado para fazer os desmatamentos.

Além das 15 prisões, a PF também apreendeu cinco armas de fogo – duas delas espingardas e três revólveres –, munições, um avião monomotor, cinco camionetes, 11 tratores, 7.480 cabeças de gado, cerca de R$ 800 mil reais, celulares e diversos documentos. Fora os crimes ambientais, lavagem de dinheiro e corrupção, as investigações da polícia, realizadas desde 2017, apontam que o crime de grilagem também era praticado pelos membros da organização criminosa nos Estados.

A Polícia Federal informou que durante as investigações uma tentativa de homicídio contra um produtor rural foi registrada no período. Os fazendeiros presos também são suspeitos de invadirem terras da União, comandar desmatamentos e contratar policiais militares para fazer a proteção das máquinas e das áreas desmatadas por ele. Grandes áreas de terra foram devastadas em Boca do Acre e Lábrea, fronteira com o Acre, conforme as informações dadas pela PF para a imprensa.

Esquema

O delegado da PF Victor Negraes explicou que a organização criminosa atuava em diversos núcleos. O primeiro era formado pelos fazendeiros que invadiam as terras da União, expulsavam moradores das localidades, desmatavam as áreas ocupadas e praticavam grilagem. O outro grupo era composto pelos servidores do Ibama no Acre que lavravam autos de infração em nome de laranjas, cometiam erros propositais no ato de feitura das multas, que comprometiam definitivamente a aplicação delas para as pessoas autuadas durante as fiscalizações feitas por eles.

Já os policiais militares do Amazonas eram responsáveis por fazer a segurança das terras, resguardar os equipamentos usados no desmate e expulsar pequenos produtores rurais das propriedades para elas serem ocupadas pelos fazendeiros. Também havia o núcleo dos operadores. Ele era composto por pessoas que eram responsáveis por fazer intermediações entre os fazendeiros, funcionários do Ibama, policiais militares e pagamento das propinas aos agentes.

“Dentro dessa estrutura havia o núcleo dos desmatadores, que era constituído por fazendeiros do Amazonas e que praticavam reiteradamente crimes ambientais de desmatamento para criação de gado. Em tese, essas terras eram também griladas por eles porque elas estão em áreas da União e projetos de assentamento. O outro núcleo dessa organização era o de fiscalização, composto por servidores do Ibama, comandado pelo então superintendente regional do órgão, que solicitava vantagens indevidas para que os desmatadores não fossem responsabilizados”, explicou Negraes.

Procurador Geral da República do Amazonas, Rafael Rocha, afirmou que um pedido para que os servidores do Ibama e da Polícia Militar do Estado vizinho sejam afastados das funções foi feito. “Entendemos que o afastamento não é suficiente, por isso pedimos a prisão. Mesmo fora do exercício do cargo, eles podem continuar exercendo influência e intimidar pessoas e coagir testemunhas”, observou. Ele acrescentou que caso os supeitos presos consigam habeas corpus na Justiça, a Polícia Federal precisará garantir que eles não voltem a exercer as funções que ocupam.

Também presente na coletiva, a superintendente da Polícia Federal, Diana Calanzas, disse que a Operação Ojuara mostra que a instituição está comprometida em sanar crimes que tragam prejuízos à sociedade e cumpre com zelo suas obrigações. “A Polícia Federal chama a sociedade para uma prestação de contas para poder comunicar o resultado, mesmo que parcial, do trabalho. É uma operação que congrega diversos males e trazem imensos prejuízos a todos nós”, encerrou.