Um recente estudo liderado pela Fiocruz apontou que o surto de febre Oropouche na Amazônia, incluindo o Acre, foi causado por uma nova linhagem viral, denominada ‘OROV BR-2015-2024’. A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine, revelou que a nova cepa foi responsável por mais de seis mil casos na Região Norte entre 2022 e 2024.
O Boletim Epidemiológico das Arboviroses da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), referente à semana 36, divulgado na última semana, mostrou que o estado já confirmou 436 casos de Oropouche em 2024, até o mês de setembro. Isso representa um aumento de 626% em relação a 2023, quando foram registrados apenas 60 casos. Dos 22 municípios do estado, apenas Santa Rosa do Purus não apresentou nenhum caso da doença.

Segundo a Fiocruz, a nova cepa surgiu de um rearranjo genético entre linhagens virais que circulavam no Brasil e em países vizinhos como Peru e Colômbia. O virologista Felipe Naveca, líder da pesquisa, afirmou que esse rearranjo genético potencializou a disseminação da doença. “Temos um contexto de mudanças climáticas e desmatamento que aumentam a exposição da população ao vírus”, explicou Naveca.
A epidemia, que afeta principalmente os estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, foi precedida por inundações históricas, seguidas por períodos de seca extrema e aumento do desmatamento, fatores que, segundo o estudo da Fiocruz, contribuíram diretamente para a disseminação da febre Oropouche. Esses eventos climáticos extremos, como o fenômeno La Niña, que se estendeu de 2020 a 2023, e a transição para o El Niño, foram destacados pelos pesquisadores como agravantes para o surto da doença.
Além disso, o desmatamento intensificado na Amazônia a partir de 2018 impactou a proliferação dos vetores responsáveis pela transmissão do vírus. O estudo reforça a importância da vigilância contínua e do diagnóstico laboratorial, especialmente diante do risco de confusão com outras arboviroses, como a dengue, que apresenta sintomas semelhantes.



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