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domingo, 5 de julho de 2026
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Estudantes de instituições privadas estão com dificuldades para assistir às aulas online

GUILHERME LIMES

Estudantes de instituições de ensino privado tiveram que se adaptar a uma nova realidade para continuarem os estudos ainda durante a pandemia do coronavírus no país. Entretanto, muitos estudantes estão insatisfeitos com a nova plataforma que estão recebendo as aulas. Se sentindo frustrados e improdutivos.

Ainda que pagando suas respectivas mensalidades integrais nas instituições, os alunos se sentem frustrados com a nova realidade, tendo em vista que há alunos sem recursos para conseguir assistir às aulas, outros não possuem internet em suas residências e outras insatisfações contestada pelos estudantes.

A estudante de farmácia, Ana Clara Maia, 19, a falta de interação física entre os estudantes e professores também influencia na qualidade das aulas, pois durante as aulas através do aparelho celular, computador ou laptop, é mais fácil propício acabar se distraindo e perdendo o foco durante as apresentações dos professores.

Maia também se diz frustrada com o pagamento integral da mensalidade.

“Estamos pagando a mensalidade integral, como se estivéssemos tendo aula presencial. E no meu curso… É um curso que exige prática em laboratório…”, contesta Maia.

Já a estudante de psicologia, Viviane Brandão, 20, que atualmente está residindo em Brasília, também vem demonstrado insatisfação nas aulas online. Pois, a futura psicóloga diz não está conseguindo ter uma boa qualidade enquanto assiste às aulas. 


Brandão diz o que o processo de concentração em casa é uma outra dificuldade, tendo em vista que mora com os familiares, no mesmo horário de suas aulas, estão fazendo sua atividades rotineiras o que acaba a atrapalhando. Além de que a coordenação e os professores de sua graduação repassam cada vez mais trabalhos e atividades, sem consultar se os estudantes estão de fato entendendo os conteúdos passados.

“Então, pra ser sincera, eu não aprendi nada nesse período e só queria que acabasse logo. Esse conteúdo, nunca mais vou ter de novo na faculdade, a não ser que eu por vontade própria, procure em outros meios externos. E isso me deixa meio desmotivada. Eles tão empurrando o conteúdo na nossa goela sem se realmente preocupar com os profissionais que vamos ser”, esclareceu Brandão.

Jornal Opinião conseguiu contatar uma professora universitária de uma das instituições privadas da cidade de Rio Branco.

A professora de Saúde da Mulher do curso de Medicina, Maria Júlia Nunes, 32, nos explicou que a instituição onde trabalha também optou por aplicar as aulas online visando que os estudantes não pudessem perder os seus semestres e assim não se saírem prejudicados. 

Nunes diz que uma das principais mudanças, se dar pela dinâmica de interação entre o professor e o aluno que muitas das vezes só é exercida quando o estudante de fato tem alguma duvida a respeito do conteúdo, e então ocorre uma interação. Entretanto, este aspecto vai de acordo com a didática o qual o professor aplica durante as suas aulas online.

Segundo Nunes, as aulas online acabaram se tornando necessárias justamente para evitar a aglomeração e o risco de exposição no qual os estudantes poderiam acabar se colocando durante esta pandemia do coronavírus, além dos próprios educadores. A professora também acredita que se houver uma dedicação de ambas as partes, professores e estudantes, as aulas conseguem ser bem aproveitadas.

“Então para não haver prejuízo na formação dos alunos, em relação às aulas on-line, a didática, a forma de interação com o aluno será muito importante. E não é simplesmente o professor se sentar, explicar a disciplina ou apenas ler a matéria… Acabar que o aluno não conseguirá absorver. O aluno vai está em outro ambiente. Não vai está no ambiente de sala de aula com a concentração focada no professor”, explica Nunes.

A estudante de medicina, Aline Feitosa, 24, fala que compreende tanto como está sendo a situação dos professores e, principalmente, a de seus colegas de sala nessa nova plataforma de aula que estão tendo que vivenciar. Feitosa alegou que durante as primeiras semanas de aula online, o processo de adaptação foi compreensível, contudo não vem obtido bons aproveitamentos durante as aulas. E que uma de suas principais insatisfações se dar em virtude na carência das aulas práticas, e esta frustração se intensifica ainda mais, pois todos estão pagando o valor integral da graduação que é aproximadamente R$ 11.000,00.

De acordo com Feitosa, a importância das aulas práticas são importantes, pois ajudar a fixar o conteúdo com mais facilidade. E que após toda a pandemia passar, se as aulas online ainda continuarem em execução, quando se iniciar um novo período, isso poderá atrapalhando os estudantes, pois a qualidade das aulas não está sendo a mesma.

A estudante também explicou que há muitos estudantes que não estão tendo a mesma acessibilidade para poder ter acesso às aulas, o que prejudica e dificulta na capacidade e potencial de desenvolvimento destes. Segundo, Feitosa, há alunos que não possuem uma internet de qualidade, além de haver alunos que não tem acesso à internet em suas residências e assim poderem assistir às aulas, por isso acabam se saindo prejudicados.

“Têm muitos alunos que estudam por meio de bolsas. Usam os próprios computadores da universidade, usam os livros. E mesmo a universidade tendo uma biblioteca virtual muito boa, nem todo mundo vai conseguir ter acesso. Pelo fato de não ter acesso à internet. Por exemplo na minha cidade (Cruzeiro do Sul), cai o sinal durante o final de semana inteiro. E como que eu iria fazer as provas? Sem sinal… Depois eu teria que fazer a segunda chamada, por um coisa que não é culpa minha. Então… eu tive que sair da minha cidade, em meio a essa pandemia, vim para Rio Branco, ficar sozinha sem meus pais. Ontem, tive que fazer uma prova de 6h. Tive que sair da minha cidade por receio de cair o sinal e perder minha prova…”, finalizou Feitosa.