GUILHERME LIMES
Estudantes de instituições de ensino privado tiveram que se adaptar a uma nova realidade para continuarem os estudos ainda durante a pandemia do coronavírus no país. Entretanto, muitos estudantes estão insatisfeitos com a nova plataforma que estão recebendo as aulas. Se sentindo frustrados e improdutivos.
Ainda que pagando suas respectivas mensalidades integrais nas instituições, os alunos se sentem frustrados com a nova realidade, tendo em vista que há alunos sem recursos para conseguir assistir às aulas, outros não possuem internet em suas residências e outras insatisfações contestada pelos estudantes.
A estudante de farmácia, Ana Clara Maia, 19, a falta de interação física entre os estudantes e professores também influencia na qualidade das aulas, pois durante as aulas através do aparelho celular, computador ou laptop, é mais fácil propício acabar se distraindo e perdendo o foco durante as apresentações dos professores.
Maia também se diz frustrada com o pagamento integral da mensalidade.
“Estamos pagando a mensalidade integral, como se estivéssemos tendo aula presencial. E no meu curso… É um curso que exige prática em laboratório…”, contesta Maia.
Já a estudante de psicologia, Viviane Brandão, 20, que atualmente está residindo em Brasília, também vem demonstrado insatisfação nas aulas online. Pois, a futura psicóloga diz não está conseguindo ter uma boa qualidade enquanto assiste às aulas.
Brandão diz o que o processo de concentração em casa é uma outra dificuldade, tendo em vista que mora com os familiares, no mesmo horário de suas aulas, estão fazendo sua atividades rotineiras o que acaba a atrapalhando. Além de que a coordenação e os professores de sua graduação repassam cada vez mais trabalhos e atividades, sem consultar se os estudantes estão de fato entendendo os conteúdos passados.
“Então, pra ser sincera, eu não aprendi nada nesse período e só queria que acabasse logo. Esse conteúdo, nunca mais vou ter de novo na faculdade, a não ser que eu por vontade própria, procure em outros meios externos. E isso me deixa meio desmotivada. Eles tão empurrando o conteúdo na nossa goela sem se realmente preocupar com os profissionais que vamos ser”, esclareceu Brandão.
O Jornal Opinião conseguiu contatar uma professora universitária de uma das instituições privadas da cidade de Rio Branco.
A professora de Saúde da Mulher do curso de Medicina, Maria Júlia Nunes, 32, nos explicou que a instituição onde trabalha também optou por aplicar as aulas online visando que os estudantes não pudessem perder os seus semestres e assim não se saírem prejudicados.
Nunes diz que uma das principais mudanças, se dar pela dinâmica de interação entre o professor e o aluno que muitas das vezes só é exercida quando o estudante de fato tem alguma duvida a respeito do conteúdo, e então ocorre uma interação. Entretanto, este aspecto vai de acordo com a didática o qual o professor aplica durante as suas aulas online.
Segundo Nunes, as aulas online acabaram se tornando necessárias justamente para evitar a aglomeração e o risco de exposição no qual os estudantes poderiam acabar se colocando durante esta pandemia do coronavírus, além dos próprios educadores. A professora também acredita que se houver uma dedicação de ambas as partes, professores e estudantes, as aulas conseguem ser bem aproveitadas.
“Então para não haver prejuízo na formação dos alunos, em relação às aulas on-line, a didática, a forma de interação com o aluno será muito importante. E não é simplesmente o professor se sentar, explicar a disciplina ou apenas ler a matéria… Acabar que o aluno não conseguirá absorver. O aluno vai está em outro ambiente. Não vai está no ambiente de sala de aula com a concentração focada no professor”, explica Nunes.
A estudante de medicina, Aline Feitosa, 24, fala que compreende tanto como está sendo a situação dos professores e, principalmente, a de seus colegas de sala nessa nova plataforma de aula que estão tendo que vivenciar. Feitosa alegou que durante as primeiras semanas de aula online, o processo de adaptação foi compreensível, contudo não vem obtido bons aproveitamentos durante as aulas. E que uma de suas principais insatisfações se dar em virtude na carência das aulas práticas, e esta frustração se intensifica ainda mais, pois todos estão pagando o valor integral da graduação que é aproximadamente R$ 11.000,00.
De acordo com Feitosa, a importância das aulas práticas são importantes, pois ajudar a fixar o conteúdo com mais facilidade. E que após toda a pandemia passar, se as aulas online ainda continuarem em execução, quando se iniciar um novo período, isso poderá atrapalhando os estudantes, pois a qualidade das aulas não está sendo a mesma.
A estudante também explicou que há muitos estudantes que não estão tendo a mesma acessibilidade para poder ter acesso às aulas, o que prejudica e dificulta na capacidade e potencial de desenvolvimento destes. Segundo, Feitosa, há alunos que não possuem uma internet de qualidade, além de haver alunos que não tem acesso à internet em suas residências e assim poderem assistir às aulas, por isso acabam se saindo prejudicados.
“Têm muitos alunos que estudam por meio de bolsas. Usam os próprios computadores da universidade, usam os livros. E mesmo a universidade tendo uma biblioteca virtual muito boa, nem todo mundo vai conseguir ter acesso. Pelo fato de não ter acesso à internet. Por exemplo na minha cidade (Cruzeiro do Sul), cai o sinal durante o final de semana inteiro. E como que eu iria fazer as provas? Sem sinal… Depois eu teria que fazer a segunda chamada, por um coisa que não é culpa minha. Então… eu tive que sair da minha cidade, em meio a essa pandemia, vim para Rio Branco, ficar sozinha sem meus pais. Ontem, tive que fazer uma prova de 6h. Tive que sair da minha cidade por receio de cair o sinal e perder minha prova…”, finalizou Feitosa.


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>