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domingo, 5 de julho de 2026
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Estudantes da Ufac se posicionam contra o retorno de atividades acadêmicas por meio de plataformas digitais

GUILHERME LIMES

Desde o dia 17 de março, a Universidade Federal do Acre, Ufac, adeririu a quarentena a fim de evitar o fluxo e a aglomeração de estudantes e funcionários dentro da instituição, seguindo os critérios e orientações da Organização Mundial de Saúde, OMS. 

Ainda durante o início do período de isolamento social, havia sido estabelecido que a universidade cumpriria com a quarentena por aproximadamente 15 dias, nestes meados ainda não haviam casos confirmados de coronavírus no estado. Ao passar dos dias, foram surgindo os primeiros paciente contaminados pelo vírus Sars-CoV-2. Então, o governador Gladson Cameli assinou o decreto, no qual previa a suspenção provisória das instituições publicas de ensino do Acre.

Entretanto, as universidades privatizadas do estado, com a estratégia de não paralisarem as atividades acadêmicas, resolveram se adaptar durante este momento de isolamento social. Então, começou-se a entrar em vigor as aulas on-line. Nos quais, os estudantes assistem seus professores por tempo real e virtual por meio de computadores, laptops ou celulares, mas para isto é necessário ter-se o acesso a internet.

Inclusive, muitos alunos começaram a contestarem suas insatisfações com aulas e também abraçaram a realidade de colegas de turma que não têm o acesso à internet ou equipamentos que os permitam a assistirem às aulas online. Outra revolta seria por estarem pagando o valor integral de suas mensalidades.E assim, nesta segunda-feira, 8, por meio das redes sociais, a Ufac anunciou e disponibilizou um questionário de pesquisa aberta para os estudantes da instituição. O intuito é analisar as condições de acesso às aulas por meio de plataformas on-line durante esta pandemia, seguindo os protocolos de distanciamento social, e também analisando as condições socioeconômicas de cada aluno.

Screenshot da página no Instagram da Ufac @ufac_oficial

Jornal Opinião conseguiu contatar alguns estudantes da instituição. Além de serem representantes dos Centros Acadêmicos, C.A, dos cursos de Jornalismo, Direito e Filosofia da Ufac.

Os três estudantes são contrários ao retorno das atividades acadêmicas por meio de plataformas digitais.

A estudante e representante do C.A. do curso de Filosofia, Marina Montysuma, defende a realidade de estudantes que não possuam acesso à internet durante este momento de pandemia e isolamento social. E que também é papel da própria instituição, se porventura adota o ensino por meio de plataformas digitais, oferecer a estes estudantes o acesso de qualidade às aulas online. “Só se pode discutir o retorno das aulas na modalidade EAD, se a UFAC tiver condições de oferecer acesso à internet de qualidade e aparelhos que possibilitem o acesso às aulas, à todos os alunos que solicitarem.”

“Diante do cenário, é preciso que se considere que o propósito de uma universidade pública é a democratização do acesso ao conhecimento. Sendo assim, não parece muito coerente, ou melhor, não parece justo, que se coloque como alternativa à quarentena as aulas à distância. Porque assim se tornará prerrogativa pra passar nas disciplinas e para acessar as aulas quem tiver dinheiro pra pagar internet e computador ou smartphone que possibilitem um bom acesso às aulas. E a gratuidade que hoje temos no acesso ao conhecimento é uma prerrogativa das universidades publicas no Brasil, que foi conquistada a duras penas, e não pode ser ameaçada”, frisou Montysuma.

Já a estudante e representante do C.A. do curso de Direito, Rayssa Castelo Branco, defendeu a importância da pesquisa feita pela Ufac, para que assim a própria instituição possa estar reconhecendo a realidade socioeconômica dos estudantes. Entretanto, a estudante se posiciona contrária caso seja adotada as aulas em plataformas on-line.

“Já que estamos falamos de uma instituição federal, por tanto repleta de pluralidades e necessidades diversas entre os alunos, é preciso pensar que muita gente não tem acesso à internet, notebook, celular. Além de um espaço tranquilo para estudos, visto que todos estão em casa com seus familiares, e muitas vezes isto pode dificultar a concentração no ambiente”, defendeu Castelo Branco, complementando que há estudantes que não estão conseguindo nem mesmo o acesso à internet para assim responderem ao questionário.

O Centro Acadêmico Elson Martins do curso de Jornalismo, CAEM, se manifestou por meio de uma nota, através da conta oficial no Instagram (@caemufac), sendo contrário ao retorno das atividades parciais por meio de plataformas digitais, defendendo a realidade de estudantes que se encontram em estado de vulnerabilidade socioeconômica.

Screenshot da página no Instagram do Centro Acadêmico de Jornalismo Elson Martins da Ufac.

Em entrevista, o estudante e representante do C.A. do curso de Jornalismo, Renato Menezes, alegou que o CAEM é contra um possível retorno das atividade por meio de plataforma digital, devido a três fatores que sofreriam impasses. Sendo estes o ensino, pesquisa e extensão, além do cumprimento de isolamento social aplicado pelo decreto e também o acesso às plataformas digitais.

“Por exemplo, pesquisa e extensão, ela costuma ser mais presencial, além do contato direito com o professor, tutor e com os demais acadêmicos. O segundo ponto, qual seria? Seria o fato das universidades públicas e federais cumprirem um decreto, tendo que ser respeitado, que seria com relação a impossibilidade ter aulas à distancia, uma vez que as universidades contemplem o primeiro ponto, pesquisa e extensão. O terceiro e último ponto, talvez o mais importante, é a questão de que nem todos os estudantes tem acesso a uma internet de qualidade; acesso a um computador, um notebook ou até mesmo a um celular que contemplem todas necessidade que as plataformas à distância exijam. Ou seja, estes três pontos, acredito eu, sejam os mais cruciais para nós do centro acadêmico. Por isto, nos posicionarmos contra”, defendeu Menezes complementando e solicitando que outros estudantes também pensem na realidade de execução de atividades de outros cursos, além da situação socioeconômica de vários alunos.

Centro Acadêmico

Um Centro Acadêmico é, basicamente, uma entidade sem fins lucrativos presente em cada graduação universitária. Visando a representatividade acadêmica daqueles estudantes. Seja em posicionamentos de defesa ou as mais variáveis necessidades do núcleo de estudantes que compõe aquele curso.

Esta entidade foi regulamentada por lei federal nº 7.395 em outubro de 1985, após grandes batalhas dos movimentos estudantis por alternativas de melhorias e direitos a realidade daquele momento.