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Estudante indígena do Acre alcança 920 pontos no Enem 2024 e inspira comunidade

A estudante Tayla Paulino Sales Kaxinawá, da Escola Estadual Jairo de Figueiredo Melo, localizada no município de Jordão, no interior do Acre, alcançou a marca de 920 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. O resultado posiciona Tayla, de 18 anos e pertencente à etnia Kaxinawá, como uma das melhores colocadas no estado na edição deste ano.

O Enem 2024, considerado a principal porta de entrada para o ensino superior público no Brasil, desafiou os participantes com 180 questões e uma redação sobre o tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”. Tayla superou a média nacional de redação, que foi de 660 pontos, com um desempenho que reflete sua dedicação aos estudos e sua superação diante de adversidades.

Rotina de estudos e apoio docente
Segundo Tayla, sua preparação foi intensa. Durante cinco meses, ela seguiu um cronograma que incluía videoaulas, resumos e aulões do projeto Pré-Enem Legal. Além disso, nos últimos meses, resolveu cinco provas anteriores do Enem e treinou redação semanalmente. O tablet com internet que o governo disponibilizou para os alunos foi um grande aliado nos seus estudos. O incentivo do professor de língua portuguesa, Yan Dias, foi essencial: ele reforçou bastante a produção textual, auxiliando Tayla a alcançar a excelência.

Estudante Tayla Kaxiawá, de 18 anos, sonha cursar Medicina e transformar desafios em oportunidades. Foto: Mardilson Gomes/SEE
“Tive que pausar os estudos por duas semanas para uma viagem, mas voltei ainda mais focada. Treinei redações sobre temas possíveis até o dia da prova”, relatou Tayla.

Mesmo com toda a preparação, a jovem ficou surpresa com o resultado. “Sabia que ia tirar uma boa nota, mas não imaginava que seria tão alta. Estou muito feliz por ter conseguido. Temos que superar as adversidades para realizar nossos sonhos”.

Superação e conquista
A trajetória de Tayla é um exemplo de resiliência. Durante a infância, sofreu preconceito e bullying por ser indígena, a ponto de seus pais considerarem tirá-la da escola. No entanto, sua determinação a levou a persistir e transformar desafios em motivação.

Hoje, Tayla comemora não apenas o resultado do Enem, mas a chance de realizar seu sonho de cursar Medicina. Sua conquista é um orgulho para o Jordão, um município de difícil acesso a 839 km de Rio Branco, onde só é possível chegar de avião ou barco, e também para todo o estado do Acre, que celebra o poder transformador da educação.

Com dedicação e foco, Tayla superou preconceitos e destacou-se como uma das melhores deste Enem. Foto: Mardilson Gomes/SEE
“O Enem é uma oportunidade única. Espero que minha história inspire outros jovens indígenas e estudantes de regiões distantes a acreditarem na educação como caminho para transformar suas vidas”, declarou Tayla, emocionada.

A jovem agora se prepara para a próxima etapa: o ingresso na universidade e o início de uma nova jornada, com o objetivo de contribuir para a saúde e o bem-estar de sua comunidade.

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