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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Espetáculo ‘O Dia da Caça’ é sucesso de público nas cidades de Rio Branco e Xapuri

Espetáculo ‘O Dia da Caça’ é sucesso de público nas cidades de Rio Branco e Xapuri

Nem a chuva, que não dava as caras há semanas, quis perder o espetáculo de palhaçaria “O Dia da Caça” na última sexta-feira, 20, na Praça da Revolução, no Centro de Rio Branco. Quando os relógios marcaram 19h, horário do início da peça, o tempo fechou, mas não foi suficiente para dispersar a plateia, que lotava o coreto para assistir as trapalhadas de Bifi e Quinan. Ainda bem que a chuva passou rápido. Coisas do “verão” amazônico.

E por falar em Amazônia, é na escuridão da floresta o cenário em que a dupla Las Cabaças, de São Paulo, coloca todo mundo pra gargalhar. Voltada para crianças e adultos, a peça é encenada pelas palhaças Juliana Balsalobre e Marina Quinan, que interpretam Bifi e Quinan.

Dirigido por Lily Curcio, o espetáculo emprega elementos de humor da palhaçaria clássica e conta com tradução em libras. Na trama, as duas amigas estão famintas há 3 dias. Munidas de terçado, arco e flecha e lanterna, elas navegam em sua canoa e seguem rastros de animais para caçar.

Bifi é atrapalhada. Dorme no meio da caçada, é sonâmbula e conversa com árvores, representadas por pessoas da plateia, em um dos momentos de interação na peça. Já Quinan é a cabeça da dupla. Precisa sempre lembrar a amiga de que estão com fome e precisam achar uma caça. A única coisa que a tira do foco é ouvir falar de cobra.

E é justamente uma sucuri que a dupla encontra escondida na bolsa. O bicho enfeitiça a dupla e muda os rumos da história, provocando muita confusão e gargalhadas.

O uso de vocabulários próprios da Amazônia, como panema, bacuri, tucumã e poronga, aliado a situações e ao uso de objetos cênicos típicos dos seringueiros, ribeirinhos e indígenas, deram um contexto totalmente regional à peça, que contou até com um trecho da famosa música Lambada do Amapá, do artista acreano Jorge Cardoso.

A produção do espetáculo estima a presença de 500 pessoas na encenação d’O Dia da Caça na Praça da Revolução. Juliana Balsalobre, uma das palhaças da dupla Las Cabaças, comemorou o resultado. “Ficamos muito felizes de apresentarmos a peça em Rio Branco. Foi uma alegria enorme receber um público desse tamanho e com tanta empatia. “

O ator e jornalista Renan Praxedes assistiu à peça e alogiou o trabalho. “Achei o espetáculo bastante divertido e lúdico. O que mais me chamou atenção foram as referências à cultura popular da Amazônia. O trabalho de corpo das atrizes também é muito bem feito”.

O estudante da segunda série Joaquim Di Deus adora palhaços e também foi conferir a apresentação. “A parte que eu mais gostei foi quando elas decidem não matar a sucuri, porque o animal não fez nada pra elas. Assim como a Bifi, eu não tenho medo de cobra”.

Xapuri e Cruzeiro do Sul

O município de Xapuri também recebeu O Dia da Caça. Lá, a apresentação aconteceu no domingo, 22, na Praça de Eventos, no centro da cidade. Uma multidão parou para ver o espetáculo, que, horas antes, foi divulgado pelas próprias palhaças em um carro de som. Nesta sexta, 27, é a vez de Cruzeiro do Sul. A peça acontece às 18h, na Praça Orleir Cameli.

“Até o momento, nossa passagem pelo Acre está sendo maravilhosa. Tivemos uma recepção que nos encantou demais. Nunca havíamos feito uma roda tão grande como a de Xapuri, onde compareceram mais de 800 pessoas. Fomos muito bem recebidas. Nossa avaliação é que ganhamos um presente”, afirmou Marina Quinan, uma das artistas.

Juliana e Marina fazem intervenções artísticas em espaços públicos e no cotidiano do interior do país, transformando as experiências em roteiros teatrais por meio da palhaçaria. Elas moraram cerca de sete anos no Pará, onde visitaram comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas para trocas culturais. Lá, aprenderam o modo de vida, palavras, gestos e histórias dos moradores. Daí veio a forte influência amazônica em seu trabalho.

A programação do projeto de circulação pelo Acre do “O Dia da Caça” é promovida pela Nascedouro Gestão Cultural, Namazônia e Las Cabaças, por meio do Edital Petrobras Distribuidora de Cultura 2018/2019, através da Lei Rouanet do Ministério da Cultura (MinC).