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sábado, 4 de julho de 2026
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Entidades sindicais do Acre saem em defesa da dignidade das crianças e da atuação do TCE


O Movimento Sindical do Acre divulgou uma nota pública em que manifesta indignação diante da crise na educação rural do estado, evidenciada em reportagem veiculada em rede nacional, e expressa apoio à atuação do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). As entidades criticam a politização da crise e denunciam o abandono das escolas rurais e a falta de condições dignas para o ensino nas comunidades mais vulneráveis.

A manifestação ocorre após o programa Fantástico, da Rede Globo, exibir imagens de crianças estudando em condições precárias em escolas do interior do Acre. A reportagem causou forte comoção social e repercussão nacional.

Na nota, as entidades sindicais alertam que “a crise na educação não será resolvida com queda de braço entre grupos políticos, mas com responsabilidade, coragem e compromisso com o bem comum”. O documento ainda critica setores do poder público que, segundo os sindicatos, estariam tentando instrumentalizar a crise educacional em disputas eleitorais antecipadas.

O Movimento Sindical — formado por entidades como a CUT/Acre, sindicatos rurais, urbanitários e dos Correios — defende que o TCE-AC apenas cumpriu seu papel constitucional de zelar pela correta aplicação dos recursos públicos e considera que atacar o órgão é uma tentativa de desviar a atenção dos problemas estruturais que atingem a educação rural.

Prioridades esquecidas

A nota elenca uma série de problemas urgentes enfrentados pelas escolas da zona rural, como:

• Precariedade dos ramais e falta de transporte escolar adequado;
• Má qualidade da água consumida por alunos e professores;
• Estruturas escolares degradadas e sem manutenção;
• Burocracias que impedem a compra da merenda da agricultura familiar;
• Ausência de projeto pedagógico compatível com a realidade dos estudantes;
• Queda nos índices de desempenho escolar e aumento do abandono.

“O debate político-ideológico deve se dar no campo das ideias e das soluções coletivas, não na tentativa de deslegitimar instituições sérias que atuam em defesa do interesse público”, afirma o documento.

Convocação à sociedade

As entidades convocam pais, mães, professores, estudantes, gestores e autoridades a participarem de um debate transparente e construtivo sobre os rumos da educação no estado. “Mudar o foco agora é aprofundar ainda mais a crise social. E enquanto isso, fica a pergunta: quem vai cuidar das nossas crianças?”, conclui a nota.

Veja a nota na íntegra:

NOTA EM DEFESA DA DIGNIDADE DAS CRIANÇAS E DA PROTEÇÃO DAS ESCOLAS RURAIS DO ACRE

Neste momento em que a força esmagadora do poder que governa nosso estado tem suas vísceras expostas em rede nacional pela Rede Globo, em pleno horário nobre de um domingo, e em que o Tribunal de Contas do Estado do Acre se posiciona com coragem e firmeza em defesa da dignidade das crianças — muitas das quais encontram na escola sua principal refeição e forma de proteção —, somos obrigados a assistir à antecipação de uma disputa político-eleitoral sem precedentes. Uma disputa que, longe de beneficiar a população, afronta e ameaça ser desastrosa para quem mais precisa de um Estado Democrático de Direito que corrija as injustiças e desigualdades sociais históricas que marcam nossa terra. Essa é — e sempre foi — a prática dos poderosos quando veem seus castelos de vidro ruírem.

Senhoras e senhores, é disso que estamos falando: a crise na educação não será resolvida com queda de braço entre grupos políticos, mas com responsabilidade, coragem e compromisso com o bem comum. No regime democrático, a força maior deve ser a do povo — e é contra o povo que hoje algumas forças políticas estão, deliberadamente, lutando.

O TCE não fez mais que cumprir seu dever constitucional, investido da responsabilidade que a nossa Constituição Cidadã lhe confere: zelar pela correta aplicação dos recursos públicos.

Diante disso, o Movimento Sindical do Acre — formado pela Central Única dos Trabalhadores – CUT/Acre; Sindicato dos Correios do Acre; Sindicato dos Urbanitários do Acre; FETACRE; STTR de Brasiléia; Sindicato dos Extrativistas Assemelhados de Rio Branco/ SINPASA; STTR de Sena Madureira; STTR de Tarauacá; STTR de Feijó; STTR de Capixaba; STTR de Manoel Urbano; STTR de Cruzeiro do Sul e STTR de Xapuri; manifesta sua total indignação com o atual cenário e alerta a população:

A pauta central que deve mobilizar o Estado neste momento é a dignidade das crianças e a qualidade de vida nas escolas. É urgente resolver:

• A precariedade dos ramais e a insuficiência de transporte escolar adequado;
• A má qualidade da água consumida por alunos e professores;
• A falta de manutenção e reforma nas estruturas escolares;
• As barreiras burocráticas que impedem a compra da merenda da agricultura familiar;
• A ausência de um projeto pedagógico mais adequado à realidade atual;
• O colapso nos índices de desempenho escolar e o crescente abandono escolar.

Num verdadeiro Estado democrático, as diferenças político-ideológicas devem se encontrar no debate público, na construção de soluções coletivas, e não na instrumentalização de crise para atacar instituições sérias que cumprem seu papel de fiscalização. Criar cortinas de fumaça para desviar a atenção dos verdadeiros problemas e atacar quem busca corrigir os rumos da desastrosa gestão pública é não apenas desonesto — é um atentado à dignidade das nossas crianças.

Apoiamos integralmente a decisão tomada pelo Tribunal de Contas, e convocamos a sociedade acreana — pais, mães, professores, gestores, estudantes e autoridades comprometidas com a verdade — para construirmos, juntos, um debate transparente e honesto sobre o futuro da educação em nosso estado.

Mudar o foco agora é aprofundar ainda mais a crise social. Uma crise que já tem consequências visíveis: o aumento da pobreza, o avanço da seca nos rios, o abandono dos espaços públicos e o adoecimento das pessoas.

Enquanto isso, fica a pergunta que nos interessa: Quem vai cuidar das nossas crianças?