
A empresa Ricco Transportes, que atua em caráter provisório no sistema de transporte coletivo de Rio Branco, fez uma paralisação em pelo menos onze linhas, na terça-feira, 28. A empresa goianiense alega problemas financeiros para operar, já pediu a rescisão do contrato emergencial e informa que vai circular somente por 30 dias, até dia 21 de julho próximo, ou até quando seja possível operar, podendo parar a qualquer momento, dentro desse prazo. O requerimento de rescisão de contrato foi protocolado pela empresa na Prefeitura de Rio Branco no último dia 21 deste mês.
Na terça-feira, o cancelamento dos serviços por meio período do dia acendeu novamente o sinal amarelo para o sistema de transporte coletivo de Rio Branco, que há décadas é precário, como consequência da malversação de recursos e a leniência de prefeitos do passado com empresários do setor.
Em nota de esclarecimento emitida pela Ricco, a empresa afirma que “nesse período [até 21 de julho], o serviço de transporte público municipal tão somente será prestado na proporção dos repasses feitos pela Prefeitura de Rio Branco, e caso tais pagamentos sejam suficientes para manter o custo operacional do sistema no dia”.
O documento, assinado por Bruna Fernandes Dias, sócio-administradora da Ricco Transportes e Turismo LTDA., enumera uma série de fatores que estão emperrando a sua operação. Entre elas o fato de a empresa estar trabalhando com defasagem na tarifa, sem receber subsídios da gratuidade a estudantes, idosos e deficientes, por exemplo, enquanto o preço do litro do óleo diesel aumentou consideravelmente.
A empresa anuncia que “está preocupada com o fim do repasse relativo à gratuidade do transporte público municipal” a partir desta quinta-feira, dia 30. “A lei que previa [esse repasse] deixa de vigorar nesta data, e não há qualquer outro mecanismo que indenize a empresa pelos passageiros transportados de forma gratuita, os idosos, estudantes, deficientes e etc., o que inviabiliza financeiramente a continuação da prestação dos serviços, no geral”, diz ela, em parte da nota.
“É fato público e notório que a a Ricco, com sede em Goiânia, não mediu esforço hercúleo para trazer sua frota, num translado extremamente dispendioso para se estabelecer nesse município e atender à população carente do serviço público de atendendo de excelência, mas que não pode manter os serviços ante a ausência de equilíbrio contratual, uma vez que a prefeitura, infelizmente não atualiza o valor do custo operacional do sistema”, afirma Dias.
Segundo a companhia, a “prefeitura deveria fazer a atualização do valor da passagem que está defasado, ou caso não queira repassar esse ônus ao usuário subsidiar o custo remanescentes do transporte público, como tantas outras prefeituras fazem com as empresas contratadas”.
Para Bruna Dias, sem o subsídio ou aumento da passagem diante da realidade de mercado fica impossível para a empresa operar nas atuais circunstâncias em que há aumentos recorrentes do preço do diesel e demais insumos, elevando sobremaneira o custo operacional dos serviços.
A insatisfação da Ricco acontece seis dias depois que o prefeito Tião Bocalom assinou decreto de caducidade com as empresas antigas, eliminando de uma vez o vínculo da Prefeitura de Rio Branco com as empresas de transporte coletivo que já estavam sem condições de operar no passado.
OPINIÃO tentou contato com a prefeitura sobre o assunto, mas não obteve resposta. O espaço está em aberto para esclarecimentos por parte do poder público municipal.


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