Em oito anos, Saúde Itinerante marca mais de 190 mil atendimentos no Acre

Se levar saúde pública de qualidade é um desafio até mesmo nos grandes centros urbanos. A missão toma proporções muito maiores quando se trata das localidades mais carentes e isoladas do Acre. Assim, como maneira de levar atendimento médico especializado e serviços de saúde mais complexos a essas regiões, há 18 anos foi criado o Saúde Itinerante, resultado dos esforços do até então senador Tião Viana.

Vinculado à Secretaria de Saúde (Sesacre), o Saúde Itinerante se tornou política pública e já percorreu todos os municípios acreanos, realizando mais de 600 mil atendimentos. Só nos oito anos da gestão de Tião Viana como governador (2011-2018), o projeto realizou 196 mil atendimentos.

Apenas entre consultas médicas, de 2011 a 2018, o Saúde Itinerante marcou 90,5 mil atendimentos. Também nesse período foram 33 mil exames laboratoriais, 9,5 mil ultrassonografias, 8,6 mil atendimentos de serviço social e 42 mil receitas atendidas, além de outros importantes números. Tudo isso ao custo de apenas R$ 3 milhões.

Coordenadora do programa desde sua criação, a enfermeira Celene Maia destaca o sentimento de gratificação por fazer desse programa considerado um marco na saúde pública do Acre.

“Trabalhar à frente do programa nesses 18 anos foi a realização de um sonho profissional e pessoal, pois ter a oportunidade de ser luz na vida dessas pessoas, e oferecer um pouco do seu tempo e do seu conhecimento, não tem dinheiro que pague essa chance de vida.  Fomos abençoados de todas as formas, ganhamos e trocamos experiências, solidariedade, generosidade, saberes e o melhor ajudamos a salvar muitas vidas. Gratidão é a palavra”, conta Celene.

Estrutura completa

Se no início do programa, há 18 anos, o Saúde Itinerante tinha uma equipe composta de apenas oito pessoas, sendo cinco médicos na época, hoje as coisas mudaram completamente, com mais de 30 profissionais fazendo parte do programa que agora possui várias especialidades incorporadas nos atendimentos, além da ampliação dos serviços.

A equipe do programa é composta por médicos, biomédicos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos em enfermagem e equipe de apoio.

As especialidades médicas presentes no Saúde Itinerante são cardiologia, cardiopediatria, cirurgia-geral, clínica-geral, dermatologia, gastroclínico, geriatria, ginecologia, hematologia, infectologia, neurologia, oftalmologia, oncologia, ortopedia, otorrinolaringologia, pediatria, psiquiatria, reumatologia, ultrassonografia e urologia.

Contando com diversos apoios entre prefeituras, o Projeto Mulher Cidadã – coordenado pelo gabinete da vice-governadoria do Estado, que também se tornou lei ano passado – e outras instituições, o programa supera desafios de logística ao alcançar as regiões mais isoladas, seja atravessando ramais ou subindo e descendo rios para levar os serviços à população.

São pessoas como Valdete da Silva, 41 anos, moradora de um seringal na região de Xapuri. Ela aproveitou o atendimento no final do último mês de setembro no município e levou toda a família para ser atendida pelos profissionais do programa.

“Avisaram no início da semana que os médicos iriam estar aqui. A caminhada é difícil, mas prefiro andar algumas horas do que ter que percorrer vários quilômetros e gastar dinheiro indo até a capital. A gente vem porque realmente precisa e graças a Deus que temos essa opção. Com certeza, uma ação muito importante para quem não tem acesso a saúde e condições de se deslocar em busca dessa assistência”, explica a trabalhadora.

Uma das histórias mais incríveis dos 8 anos de Saúde Itinerante aconteceu em Epitaciolândia, quando uma criança, com apenas 40 dias de vida, pesava apenas dois quilos quando foi atendida pela médica Milena de Sá do Vale, residente em pediatria, que acompanhava o Saúde Itinerante daquele dia. Fraco e visivelmente desnutrido, o bebê já não conseguia reagir aos estímulos e a profissional sabia que algo muito grave estava acontecendo com Sebastião, que desde os primeiros dias de vida apresentava um quadro severo de diarreia, mesmo sendo alimentando exclusivamente com o leite materno.

“Ele chegou carregado nos braços da mãe, enrolado em muitos panos. De tão pequeno que era pensei que se tratava de uma criança prematura. Sem conseguir conter as lágrimas, a mãe me contou que já havia procurado atendimento médico na sua cidade, e que por diversas ocasiões davam os mais variáveis diagnósticos e liberavam o bebê. Logo avultei a hipótese de uma doença disabsortiva, um provável erro inato do metabolismo, mas que precisava internar com urgência para tratar a desnutrição e confirmar a hipótese diagnosticada”, relato da médica.

A rara doença foi descoberta, Sebastião foi tratado em Rio Branco e hoje é um exemplo da importância do programa para salvar vidas de pessoas que estão mais distantes dos centros urbanos.