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segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Ed Sheeran enfrenta críticas após saída de Macklemore da turnê e declarações sobre Gaza

Ed Sheeran passou a enfrentar críticas após a saída de Macklemore da etapa norte-americana de sua turnê, em meio à repercussão das manifestações do rapper em apoio à Palestina. O episódio colocou o cantor britânico no centro de uma discussão sobre liberdade de expressão e sobre a postura de artistas diante da guerra entre Israel e Hamas.

Macklemore foi retirado das apresentações restantes da Loop Tour depois de fazer manifestações em apoio aos palestinos durante shows no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O rapper utilizou o palco para defender a Palestina e dizer “Free Palestine”. Pouco depois, a produtora informou que ele não participaria mais das apresentações nos Estados Unidos.

Segundo a organização da turnê, proprietários de locais que receberiam os próximos shows comunicaram que não aceitariam as apresentações com Macklemore no elenco. A decisão não foi anunciada como uma iniciativa pessoal de Ed Sheeran. O cantor afirmou que a retirada partiu da produtora e dos responsáveis pelas arenas e que tentou conversar com os envolvidos para encontrar uma solução.

Mesmo assim, a permanência de Sheeran no centro da turnê provocou críticas. O questionamento feito por apoiadores da causa palestina é direto: enquanto Macklemore sofreu uma consequência profissional depois de utilizar o palco para defender os palestinos, Sheeran manteve os shows e procurou se desvincular da decisão.

A repercussão aumentou quando outros artistas convidados para a turnê anunciaram que não continuariam nas apresentações. Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e Beoga deixaram a programação em solidariedade a Macklemore e em reação ao episódio.

O caso também colocou em evidência a influência dos proprietários das arenas sobre os artistas. Robert Kraft, empresário ligado ao New England Patriots e conhecido por seu apoio a Israel, foi citado nas reportagens relacionadas à pressão pela retirada de Macklemore. A situação alimentou críticas sobre a possibilidade de interesses políticos influenciarem a programação de grandes eventos musicais.

Sheeran tentou inicialmente adotar uma postura de distanciamento. O cantor declarou estar horrorizado com o conflito entre israelenses e palestinos e afirmou considerar o sofrimento dos dois lados uma tragédia. Ao mesmo tempo, disse que não pretendia transformar sua carreira em uma plataforma de ativismo político.

A postura, porém, acabou sendo questionada justamente porque a controvérsia atingiu sua própria turnê. Para os críticos, não bastava dizer que a decisão não havia sido tomada por ele quando um artista que dividia seu palco havia sido retirado após fazer declarações sobre a Palestina.

A situação ganhou um novo capítulo no show de Sheeran na Filadélfia, realizado em 19 de setembro. Diante do público, o cantor falou diretamente sobre Gaza e afirmou que a situação no território é “catastrófica e injustificável”. Também condenou os ataques de 7 de outubro de 2023 e mencionou o sofrimento de israelenses e palestinos.

A declaração colocou Sheeran em uma posição mais explícita sobre o conflito, depois de semanas tentando se apresentar como alguém distante da disputa política. Para seus críticos, entretanto, o posicionamento não apaga o episódio envolvendo Macklemore e levanta uma questão sobre a diferença entre manifestar preocupação com Gaza e assumir os custos de uma posição política quando ela provoca consequências dentro da própria indústria.

Não há, nas declarações públicas recentes de Sheeran, base suficiente para afirmar que o cantor se identifique como sionista. A crítica que ganhou força nas redes e entre apoiadores da Palestina está relacionada principalmente à maneira como ele lidou com a retirada de Macklemore e à relação entre sua postura pública e o funcionamento de sua turnê.

O episódio também gerou uma discussão mais ampla sobre liberdade de expressão na música. Enquanto Macklemore decidiu utilizar seus shows para defender abertamente a Palestina, Sheeran optou por uma abordagem mais cautelosa e só posteriormente fez uma manifestação mais contundente sobre Gaza.

Com isso, o cantor que durante anos construiu uma imagem pública associada à simplicidade e ao distanciamento de grandes disputas políticas passou a enfrentar uma controvérsia que não conseguiu evitar. A saída de Macklemore transformou a própria turnê de Sheeran em um dos palcos do debate sobre Palestina, Gaza e os limites da liberdade de expressão na indústria musical.