“É preciso sair da caixinha”!

C expressão “sair da caixinha” virou palavra de ordem no encontro que o governador Tião Viana realizou semana passada no Resort Hotel, em Rio Branco, mobilizando cerca de 400 gestores, técnicos e colaboradores do governo, que, confinados no local, sem direito ao uso de celular, passaram dois dias (23 e 24) discutindo e ajustando um Plano Operacional para aplicar um bilhão e 50 milhões de reais no Estado, até 2018.

Reunidos em quatro grupos, em salas separadas, sua missão era escolher as “altas” prioridades do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre para executar, sem perder tempo nem dinheiro, projetos com transversalidade entre secretarias. Os eixos da execução incluem Economia Sustentável, Segurança Pública, Desenvolvimento Social e Prevenção à Violência, e Infraestrutura. Na extensa lista, a “alta” prioridade estava destacada em azul.

Imaginem o que é passar 16 horas sentado numa cadeira pouco confortável, ouvindo debate técnico entre gestores que, aparentemente, não tinham como raciocinar fora da caixinha! Mas entendo que o planejamento é importante para uma boa execução de obras públicas, por isso, suportei estoicamente o “castigo”.  Como jornalista, acabei recompensado, porque passei a conhecer melhor a dimensão da gestão do governo.

Nos dois dias de discussão, o governador Tião Viana entrou mais de uma vez em cada sala pra animar a turma. Na de Economia Sustentável, que acomodava 55 debatedores, percebi que o visitante falava fora da caixinha e de caixões. Como exemplo, disse que quer transformar o município do Jordão numa localidade de desenvolvimento sustentável exemplar. Lá, o governo já pavimentou todas as ruas, estendeu a rede de esgoto, colocou água tratada jorrando 24 horas nas torneiras, sem precisar de caixa d’água.

Até 2018, o município localizado nas cabeceiras do Rio Tarauacá, com 6.577 habitantes, a maioria morando na floresta e tendo origem indígena, será modelo também em educação, saúde, segurança pública e exibirá, orgulhosamente, o melhor índice de desenvolvimento humano. Até bem pouco tempo, era considerado o pior.

Na verdade, o governador chega à última metade do seu segundo mandato com justificada euforia. Em seis anos, entregou mais de 12 mil moradias a famílias sem teto. Fez do Acre o estado com maior investimento em saúde por habitante, ficando atrás apenas do Distrito Federal. O Ideb (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) passou a comprovar a qualidade de sua educação. E a economia regional foi diversificada, fortalecendo as cadeias produtivas, a agricultura familiar e o extrativismo, sem descartar a agroindústria. A pecuária adotou crescimento vertical e a carne acreana já chegou ao Egito.

Leitor assíduo de obras recém-lançadas e outras clássicas, o governador recorre, por exemplo, à Viagem ao Fundo do Mar e à Jornada nas Estrelas para sugerir solidariedade,  objetividade e  determinação aos distraídos. “Quantos aqui ligam pros colegas perguntando como vai sua gestão? Precisamos de menos individualismo e mais solidariedade”, sugeriu, carismático.

Na opinião de Tião Viana, o governo é o grande vetor do desenvolvimento, porque reúne a maior quantidade de crédito e, no caso do Acre, tem uma base ética com os princípios da sustentabilidade.

O Resort Hotel, que conta com enorme e adequado espaço para encontros como o da semana passada, tem um salão amplo onde todos se juntaram para ouvir o governador, a vice Nazareth Araújo, a primeira-dama Marlúcia Cândida, o senador Jorge Viana e demais convidados. Lá, num clima que permitiu curiosas performances – como um box escuro onde todos deviam entrar para se verem num enorme espelho – ficou acertado um pacto de engajamento e trabalho nos próximos 21 meses.

Surpreendentemente, o governador revelou uma tendência ambientalista pouco usual nos dias atuais. Usou uma linguagem clara e convincente sobre os rumos de sua gestão e convidou um cacique Huni Kuin, o Bené, para falar da revolução por meio da educação que ocorre em sua aldeia. A contar de 2011, Tião Viana investiu R$ 50 milhões nas comunidades indígenas do Acre, participou mais de uma vez de festas tradicionais indígenas, dançou e tomou caiçuma com seus amigos da floresta.

Elson Martins é jornalista