A Prefeitura de Braço do Norte, no Sul de Santa Catarina, exonerou a coordenadora do Centro de Educação Infantil (CEI) Antônio Volpato e afastou o vigilante responsável pelo controle de acesso da unidade após a conclusão do inquérito policial que apurou o caso de um bebê de 1 ano e 6 meses que saiu sozinho da creche e caminhou até o local de trabalho da mãe.
As medidas foram anunciadas pela administração municipal na quinta-feira (1º), após o Município ter acesso ao conteúdo do inquérito concluído pela Polícia Civil. Segundo a Prefeitura, o relatório final da investigação indicou o vigilante e a então coordenadora da unidade.
De acordo com a investigação policial, os dois foram indiciados por abandono de incapaz na modalidade de dolo eventual. O indiciamento, no entanto, representa uma etapa da investigação e não significa condenação ou decisão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.
A Prefeitura informou que decidiu afastar o vigilante e exonerar a coordenadora da função de direção com o objetivo de preservar a segurança das crianças, garantir a regularidade do serviço público e permitir o andamento da apuração administrativa.
A sindicância instaurada pelo Município continua em andamento. O procedimento deverá analisar os elementos reunidos pela Polícia Civil e ouvir os envolvidos, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Bebê saiu sozinho da creche
O caso aconteceu na sexta-feira (25), no CEI Antônio Volpato. A mãe deixou o filho na unidade por volta das 7h20. Cerca de uma hora depois, a criança conseguiu sair da creche sem acompanhamento.
Imagens de câmeras de segurança registraram o menino caminhando sozinho pelas proximidades da unidade. Ele atravessou a rua e percorreu aproximadamente 50 metros até chegar ao local onde a mãe trabalhava.
Ao chegar ao escritório, o bebê bateu na porta e foi percebido por uma funcionária, que o acolheu até a chegada da mãe. A criança não ficou ferida.
O episódio levou à abertura de uma sindicância pela Prefeitura e também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Promotoria também apura o caso
A 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Braço do Norte instaurou uma notícia de fato para verificar as circunstâncias da saída da criança e possíveis falhas nos procedimentos de supervisão e segurança da unidade.
A promotora de Justiça Luísa Niencheski Calviera deve visitar o CEI nesta sexta-feira (2). A representante do Ministério Público também deverá se reunir com integrantes da equipe da creche e analisar informações relacionadas ao episódio.
A apuração busca esclarecer como o bebê conseguiu deixar a unidade sem ser percebido, quais procedimentos de controle de acesso estavam sendo adotados no momento e em que circunstâncias a saída da criança foi identificada.
Câmeras internas estavam desligadas
Outro ponto que passou a fazer parte da apuração foi o funcionamento do sistema de videomonitoramento da creche. Segundo a Prefeitura, as câmeras internas estavam desligadas no momento do episódio porque a unidade passava por uma reforma elétrica.
As imagens foram solicitadas pelo Ministério Público para auxiliar na reconstrução da dinâmica dos fatos e na identificação de eventuais falhas nos procedimentos de segurança.
Prefeitura diz que medidas não representam condenação
Em nota, a administração municipal afirmou que tomou conhecimento formal das conclusões da Polícia Civil após ter acesso ao inquérito e decidiu adotar as medidas administrativas consideradas necessárias diante dos elementos apresentados pela investigação.
A Prefeitura também reforçou que o indiciamento é um ato próprio da investigação policial e não representa condenação ou decisão definitiva de responsabilidade. A sindicância municipal continuará até a conclusão da apuração administrativa.
O Município afirmou ainda que pretende adotar as medidas necessárias para esclarecer o episódio e fortalecer os protocolos de segurança e controle de acesso das unidades municipais de educação infantil.


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