No país, mais da metade das mulheres que têm filhos também trabalha, mostra IBGE. Mas elas ainda ganham menos do que os homens.
Por Andréia Oliveira
Elas enfrentam qualquer desafio para cuidar dos filhos, oferecer boa educação, não deixar faltar alimentação, se desdobram para conciliar diariamente jornadas duplas e muitas vezes até triplas. Assim vive a maioria das mães. Algumas são mães em tempo integral, outras são pai e mãe, se dividem entre cuidar dos filhos, do lar, do companheiro ou companheira, estudam e ainda trabalham fora.
Atualmente no Brasil, mais da metade das mulheres que são mães também trabalham, seja no mercado formal ou informal. O país tem mais de 28,1 milhões de mães trabalhadoras, o que representa 51,3% do total das 54,7 milhões mulheres acima de 15 anos com filhos. Os setores em que as mães mais atuam são o de serviços (4,76 milhões) e o de serviços domésticos (4,65 milhões). As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao analisar o perfil das 39,8 milhões de brasileiras com emprego, dentro da mesma faixa etária citada acima, constata-se que 70,6% delas são mães. Segundo o IBGE, em 38,1% dos domicílios particulares do Brasil as mulheres são vistas como pessoa de referência da família.
Embora venham conquistando cada vez mais o mercado de trabalho, o salário delas ainda é menor. Enquanto os homens têm rendimento médio de R$ 1.698, o das mulheres é de R$ 1.238 (72,9% do obtido por eles).
Nos últimos anos a imagem feminina cresceu em muitos postos de trabalho. De certa forma, essa mudança ocorreu devido à economia, que as levou a trabalhar fora de casa, assim como o desejo de independência e superação pessoal. Entretanto, conciliar a rotina de trabalho, estudos com atenção das crianças e da casa não é tarefa fácil. O desafio que uma mãe que trabalha fora de casa enfrenta diariamente pode ser comparado a uma corrida de obstáculos.
Mães que vão à luta para criar seus filhos com dignidade

Enfrentar desafios e ir à luta para criar os filhos é característica preponderante das mães. Sua força é demostrada em gestos como renúncia, entrega, até se submeter a aceitar trabalhos nada convencionais, inclusive desempenhando funções dominadas, em sua maioria, por homens. Fran Lima é um exemplo disso. Ela é formada em Gestão de Recursos Humanos e atualmente está concluindo especialização em Auditoria Contábil e Tributária, é mãe da Ludimilda de 18 anos e do Lucas de 14 anos.
A necessidade de criar os filhos a fez ir à luta em busca de sua independência financeira. Recentemente Fran voltou a trabalhar como auxiliar de açougue, profissão que aprendeu desde os 13 anos de idade, quando ajudava seu irmão que era proprietário de um açougue. Ela relata que já trabalhou como cabeleireira e professora, mas diante da crise econômica pela qual passa o país e com a escassez de oportunidades em sua área de formação, foi buscar trabalho em uma rede de supermercados local que oferecia vaga de auxiliar de açougue. Hoje, Fran é uma das duas únicas açougueiras da rede de Supermercado Araújo, função que comumente é ocupada por profissionais do sexo masculino.
“A rotina de ser mãe e trabalhar fora é bastante desafiadora, porém quando cuidamos dos filhos com amor, tudo se torna mais fácil. Aqui (Araújo) fui abraçada por ótimos companheiros de trabalho, uma equipe muito boa, que me ajuda muito a me desenvolver no mercado, tem sido uma experiência excelente”.
Preconceito na profissão ainda dominada por homens

A auxiliar de açougue relata que já sofreu preconceito no exercício da profissão, “houve situações em que homens não quiseram ser atendidos por mim simplesmente por eu ser mulher. Acredito que ainda existe muito preconceito com as mulheres e mães em algumas profissões, mas isso que aconteceu comigo só me motivou a ser uma profissional ainda melhor, e sempre me dedicar a prestar o melhor serviço onde eu trabalho”.
Vencendo o preconceito e os desafios diários, Fran Lima dá uma aula de motivação para as mulheres que vivem o drama do desemprego e falta de ocupação profissional. “Como o desemprego está muito grande, muitas mulheres optam em não encarar determinadas carreiras para melhor se desenvolver e manter sua família, eu fiz a opção de encarar e trabalhar, sou auxiliar de açougue com muito orgulho e luto com dignidade para dar o melhor para os meus filhos, não podemos parar por nenhum tipo de preconceito que sofremos ou por crises que passamos na vida, meu conselho é seguir em frente com coragem”, finaliza.
Tripla jornada
Thaís dos Santos tem 28 anos, é mãe do Murilo de 9 anos e da Ester de 6. Ela é brigadista, também conhecida como Bombeiro Civil. Sua profissão também não é nada convencional. A rotina profissional de 12 por 36 horas de trabalho exige cuidar da estrutura predial, realizar primeiros socorros e pequenos atendimentos no Via Verde Shopping. No local há uma sala preparada para a realização desses procedimentos.
A Brigadista, que também é técnica em Segurança do Trabalho é daquelas mães que mantém tripla jornada. Sua rotina é eletrizante, se divide entre os cuidados com dois filhos e a casa, o trabalho e os estudos. Ela cursa Contabilidade na Uninorte.
“Saio muito cedo para o trabalho, deixo as crianças na escola e só chego à noite após a faculdade. Não é fácil. Tenho pessoas que me ajudam com as crianças, mas nos meus dias de folga do trabalho, porque nossa escala é de 12 por 36 horas, assumo tudo. Ainda tenho a grande responsabilidade de ter bom desempenho na faculdade porque sou bolsista, meu rendimento não pode cair porque o risco de perder a bolsa. O esforço é triplicado”.
Por atuar em uma profissão não muito comum para mulheres, Thaís conta que as pessoas se surpreendem quando ela diz que é Brigadista, acham interessante, além do uniforme vermelho que chama bastante a atenção, mas garante que nunca sofreu preconceitos.
“Eu escolhi ser Brigadista porque gosto de coisas eletrizantes, gosto de ajudar o próximo, além disso, estamos sempre em movimento, fazemos ronda, não ficamos parados. Me sinto realizada por atuar nessa profissão, por fazer o que gosto, esse é o segrego da vida”, diz Thaís.
Sobre ser mãe

“É muito bom ser mãe, meus filhos são muito carinhosos, comportados e dedicados, eu trabalho muito e tento dar a melhor educação pra eles, passar bons valores, e adotei a estratégia do merecimento, fazer por merecer. Não podemos dar nada fácil aos nossos filhos, eles precisam saber dar valor às pessoas, ao esforço que fazemos para que eles tenham uma vida confortável e digna. Uma mãe vai à exaustão para dar o melhor para seus filhos, mas não há nada mais gratificante nesse mundo”, finaliza.



?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>