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domingo, 5 de julho de 2026
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Descaso da população transforma cartão-postal de Boca do Acre em depósito e lixo e barracos

Espaço que custou mais de R$ 18 milhões, projetado para conter erosões e valorizar a beleza dos rios Purus e Acre, sofre com abandono, descaso da própria população, lixo, mau cheiro e ocupações irregulares

A orla fluvial de Boca do Acre, construída a um custo superior a R$ 18 milhões, nasceu com uma proposta ambiciosa: funcionar como contenção das encostas dos rios Purus e Acre, proteger o perímetro urbano de inundações e, ao mesmo tempo, se tornar um cartão-postal para moradores e visitantes.
A intenção era nobre: um espaço para assistir ao pôr do sol, contemplar o encontro das águas, acompanhar o fluxo de embarcações e desfrutar da paisagem amazônica. No entanto, a realidade atual é bem diferente.

Hoje, quem visita a orla encontra lixo espalhado por toda parte, um mau cheiro provocado por dejetos humanos descartados a céu aberto e toneladas de entulho depositadas pela própria população. O cenário que deveria representar orgulho se transformou em motivo de vergonha.

A população também tem responsabilidade

É comum culpar governos e gestões, mas, neste caso, a falta de cuidado da própria população tem um peso enorme. Móveis quebrados, sacolas, restos de obra, lixo doméstico e até fezes humanas são deixados diariamente às margens da orla, degradando o espaço e comprometendo sua função ambiental e social.

Sim, o poder público precisa realizar limpezas rotineiras, campanhas de conscientização e implementar medidas punitivas eficientes. Mas nada disso substitui o dever básico de cidadania: cuidar do que é de todos.

Já passou da hora de a Câmara Municipal aprovar uma lei específica, sancionada pelo Executivo, prevendo multas e penalidades claras para quem descarta lixo irregularmente na orla fluvial. Sem punição, o ciclo de destruição continua.

O “favelão” que nasceu no calçadão

Outro ponto crítico envolve uma decisão da gestão passada, considerada por muitos como politiqueira: a permissão para que fossem construídos barracos no calçadão da orla. O que deveria ser um espaço de lazer e contemplação foi ocupado por mais de 30 estruturas improvisadas, onde se vende de tudo — alimentos, bebidas, roupas, acessórios e outros produtos.

A situação se tornou delicada:

Alguém permitiu que essas construções fossem erguidas.
Agora, muitos ocupantes alegam direito adquirido.
Removê-los é uma decisão politicamente arriscada e socialmente complexa.
Enquanto isso, novas construções seguem avançando, ampliando o problema.

O que era para ser um calçadão turístico virou, na prática, um aglomerado desordenado, comparado por moradores a um “favelão”. A paisagem natural, antes um dos maiores atrativos da cidade, está sendo sufocada por improvisos e pela falta de fiscalização.

Um patrimônio que precisa ser resgatado

A orla fluvial de Boca do Acre não pertence a governos nem a gestões temporárias. Ela é patrimônio do povo, construída com recursos públicos e planejada para ser um símbolo da cidade.

Resgatar esse espaço exige:

Conscientização real da população,
Ação firme do poder público,
Legislação eficaz,
Fiscalização constante,

E, acima de tudo, vontade coletiva de preservar o que deveria ser motivo de orgulho.

Do contrário, o que já foi pensado como cartão-postal continuará sendo apenas um retrato do abandono, da desorganização e da falta de cuidado com o que é de todos.

Isso sem contar que a orla, em vários pontos, do começo ao fim, está dando claros e evidentes sinais de desmoronamento.