Uma cena incomum aconteceu na manhã de ontem, domingo (27), quando os moradores de Boca do Acre presenciaram as águas do rio Acre fazendo o trajeto contrário, ou seja, subindo da foz para a nascente. Mas não era o rio que estava retornando por algo sobrenatural, mas a força da natureza, especialmente do rio Purus, que teve em 24 horas, o maior repiquete dos últimos 17 anos.
No ponto de encontro dos dois rios, o maior, o Purus, representou o menor, e empurrou as águas do Acre de volta, junto com a vegetação e espuma.
Segundo o secretário da Defesa Civil de Boca do Acre, Jones Noronha, um volume de chuvas acumulado anormal desceu o manancial e causou uma cheia repentina, o que chamamos na região de repiquete.
Em 24 horas, de sábado para domingo, a régua da Defesa Civil apontou uma subida acelerada das águas de quase 3 metros, exatamente 2,97m. Sábado, a marcação apontava 5,77m, já na manhã de domingo, a medição chegou a 8,74.
“O volume de chuvas se concentrou na região peruana do rio Purus e desceu. A força foi tão grande, que por muito pouco o município de Santa Rosa do Purus, no Acre, não teve a cota de transbordamento ultrapassada”, informou Noronha.
Noronha comentou que apesar do susto, a imagem atípica, não existe previsão de chuvas acima da média para esse período chuvoso, neste ano e no próximo. Mas, segundo o secretário, o monitoramento mais atento está nas cabeceiras dos rios Acre e Purus, onde a previsão pode destoar, ou seja, ser diferente, a exemplo da forte enchente repentina que ocorreu ontem.


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