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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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De coma a danos neurológicos: entenda os perigos das unhas em gel barradas pela Anvisa

A decisão tem caráter preventivo e busca proteger consumidores e profissionais da beleza expostos diariamente a compostos químicos usados na técnica.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu o uso de duas substâncias químicas presentes em produtos para unhas em gel, após estudos apontarem que os compostos podem causar danos neurológicos, infertilidade e até câncer.

As substâncias — TPO (óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina) e DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina) — são amplamente utilizadas em bases, géis e selantes para endurecer e dar brilho às unhas.

De acordo com a agência, a medida tem caráter preventivo e visa proteger especialmente os profissionais da beleza, que manipulam esses produtos com frequência.

Riscos à saúde

Em experimentos laboratoriais, os compostos apresentaram efeitos tóxicos severos, incluindo irritação respiratória, danos neurológicos, riscos reprodutivos e potencial carcinogênico — isto é, capacidade de aumentar a incidência de câncer.

Com a proibição, o Brasil passa a adotar os mesmos padrões de segurança da União Europeia, que já havia banido essas substâncias em setembro. A restrição vale para qualquer produto de higiene pessoal, perfume ou cosmético que contenha TPO ou DMPT, incluindo os usados em salões de beleza.

O que dizem os especialistas

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta que o uso de unhas em gel, embora popular, não é isento de riscos. Além dos compostos agora proibidos, há a possibilidade de reações alérgicas às resinas acrílicas e de traumas permanentes nas unhas naturais.

A entidade recomenda evitar o uso contínuo da técnica, dar intervalos entre as esmaltações e optar por removedores sem acetona.

Outra orientação importante é aplicar protetor solar nas mãos antes da cabine de luz UV ou LED, para reduzir os riscos de danos à pele.

Entenda os efeitos do TPO

Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), o TPO é classificado no Grupo 2A, ou seja, é “provavelmente carcinogênico para humanos”.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) aponta que a exposição ao TPO pode causar irritação nos olhos, pele e vias respiratórias, além de dor de cabeça, fraqueza muscular e perda de coordenação motora.

Em casos graves, há relatos de efeitos neurológicos intensos e até coma.

A exposição prolongada também foi associada a inflamações pulmonares e traqueais, perda de peso e alterações neurológicas, além de redução do número de fetos vivos em testes com animais.

O perigo do DMPT

A DMPT é metabolizada pelo organismo em p-toluidina, substância classificada pela IARC como “possivelmente carcinogênica para humanos” (Grupo 2B).

Estudos em animais apontaram a formação de tumores no baço e em outros órgãos, o que levou as agências de saúde a tratarem o DMPT como um agente suspeito de causar câncer ocupacional.

O que muda com a proibição

A partir desta quinta-feira (30), está proibida a fabricação, importação e registro de qualquer produto que contenha TPO ou DMPT em sua formulação.

Empresas e salões terão 90 dias para se adequar à nova regra e retirar os produtos do mercado.

Após esse prazo, todos os registros e notificações serão cancelados pela Anvisa, e os produtos restantes deverão ser recolhidos obrigatoriamente.