De acordo com dados do Ministério da Saúde, desde 2014 o país tem uma média de 40 mil novos casos por ano. Desde o início da epidemia de AIDS no país, em 1980, que 327.655 pessoas morreram por causa do vírus do HIV. No Acre, os números não param de crescer.
No relatório consta que desde o início da epidemia do HIV, em 1980, o Acre é o estado com a menor taxa de detecção de AIDS por 100 mil habitantes, mas esse valor se torna irrelevante quando o relatório aponta o Acre junto ao do Rio Grande do Sul como os únicos estados que registraram aumento no coeficiente de mortalidade para cada 100 mil habitantes.
De 2015 até maio deste ano, 985 casos foram registrados. A maioria em Rio Branco. Oficialmente, 672 pessoas são portadoras do vírus e que desenvolveram a doença.
A incidência da doença analisada por referência de sexo e opção sexual também é um dado que, agora, passou a surpreender. Entre os homens, 57,8% dos contaminados pelo vírus são heterossexuais e entre as mulheres esse índice é ainda maior, 97%. Uma realidade que choca até mesmo quem trabalha nessa área.
De acordo com a gerente da divisão de infecções sexualmente transmissíveis no Acre, Maria do Carmo Guimarães, a atual realidade do estado preocupa e muito as autoridades. “Só esse ano de 2019 nós já tivemos 71 casos, levando em consideração o tamanho do nosso Estado e a população, é um número considerado alto”, disse.
Maria do Carmo acompanha, mês a mês, o surgimento de novos casos e acredita que o número real de doentes pode ser até o dobro do que existe registrado no sistema. É que para ela, muitas dessas pessoas nem devem saber que estão contaminadas.
Sem o tratamento adequado, a possibilidade de uma melhor qualidade de vida é quase inviável. Hoje, quem realiza o acompanhamento de forma adequada, toma regularmente a medicação e se mantém consciente do risco em que vive, tem boas chances de se enquadrar em um grupo de portadores do vírus considerados indetectáveis e intransmissíveis, onde a vida do então doente é praticamente normal.
“Hoje se o paciente descobrir que é positivo, que tem o vírus HIV e fizer o tratamento corretamente, usar os antirretrovirais a cada seis meses, ele realiza um exame complementar que é carga viral, esse exame vai mostrar se o paciente está indetectável e se ele estiver é a mesma coisa que está intransmissível, um paciente que vai ter uma vida saudável, uma qualidade de vida e os estudos científicos já comprovam isso no mundo”, falou.
Cenário nacional
O tempo de sobrevida de pacientes com HIV mais que dobrou após o Brasil começar adotar políticas públicas de combate à doença. Estudo divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que 70% dos pacientes adultos e 87% das crianças diagnosticadas entre 2003 e 2007 tiveram sobrevida superior a 12 anos.
Em 1996, antes de o ministério ofertar o tratamento universal aos pacientes com HIV, a sobrevida era estimada em cerca de cinco anos. O estudo pesquisou 112.103 pacientes adultos e 2.616 crianças de todo o país, entre 2003 e 2007. Desse total, 70% dos adultos (77.659) e 87% (2.289) das crianças permaneciam vivos até o fechamento dos dados para o resultado, a pesquisa levou em consideração outros fatores, além do tempo de vida entre o diagnóstico e o óbito, como a taxa de mortalidade de Aids no período, análises estatísticas e modelos de riscos. No período do estudo, a taxa de mortalidade por Aids em adultos teve queda de 89,1% e, em crianças, a redução foi de 88,8%.
Medicamento gratuito
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil foi um dos primeiros países – e o único, considerando sua dimensão populacional – a adotar a distribuição gratuita dos medicamentos para a Aids no sistema público de saúde, em 1996. Além do tratamento das pessoas diagnosticadas, o ministério faz também ações de prevenção que inclui a distribuição de preservativos masculinos e femininos, ações educativas e ampliação do acesso a novas tecnologias, como a profilaxia pós-exposição e a profilaxia pré-exposição. (Com informações Agência Brasil)


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