Acre é um país que não existe e de lá se avista o Brasil. Dessa complexa relação se construiu um diálogo de evidente fragilidade. Contudo, não se trata de uma exceção, pois sabemos que este país, de vastidão continental, desconhece e, muitas vezes, despreza seus interiores e suas fronteiras, ofuscado e enebriado pelas luzes de um sudeste que se faz onipresente e supõe ser onisciente daquilo que ainda se insiste em chamar de identidade brasileira. O filme será exibido nesta quarta-feira, 29, na Filmoteca Acreana, a partir das 19 horas.
O plural seria mais conveniente e talvez pudesse reparar tantas discrepâncias e latentes desigualdades. Afinal, nossas identidades são múltiplas e constituem o melhor de nossa língua e cultura. A sabedoria dos povos originários, somados a uma riquíssima cultura negra africana poderia muito acentuar nossa originalidade frente às nações de origem europeia. Entretanto, viramos as costas e tapamos nossos ouvidos inebriados pelas luzes e sombras provenientes das grandes metrópoles que tanto tentamos mimetizar. E ainda fazemos pior, perseguindo, matando, incendiando e apagando os traços que poderiam efetivamente nos levar a um estado soberano, com ampla democracia e igualdade de direitos e acesso aos bens culturais e processos educativos plenamente assegurados.
É dessa utopia que fala esse projeto. Um país que poderia se reconhecer em suas distinções, ouvir tantas vozes que ainda permanecem caladas sem a menor chance de se expressar e compartilhar seus saberes. Em meio a distorcidos processos de formação, assegurando os eternos privilégios de uma mínima parcela de sua população em detrimento de uma extensa maioria.
Um filme 100% independente, que foi possível ser finalizado e agora lançado graças ao apoio de 102 apoiadores de 15 estados brasileiros, através da nossa campanha de financiamento coletivo pela plataforma Catarse que teve duração de fevereiro a abril de 2022. Esse filme aborda uma exitosa experiência de formação de jovens e adultos de Rio Branco e outros municípios do Estado do Acre, parte mais ocidental da Amazônia brasileira, há 20 anos atrás. Quando mais de 70 pessoas, com idades e formações variadas, se inscrevem em uma oficina que resultaria no CATAC (Centro de Antropologia do Teatro e Antropofagia do Cinema), criado em um momento ímpar de conjunções de forças para transformar e valorizar a trajetória de uma parte da população que vivia isolada e sem as mesmas condições de acesso cultural de outras regiões brasileiras.
A fim de diminuir essas discrepâncias e distorções, o Catac, compenetrado em observar as narrativas que tanto descreveram esse país, com o intuito de compreender os inúmeros sentidos que podemos perceber sobre cultura, formação e diversidade brasileira, desenvolveu durante cinco anos, de 2001 à 2006, um conjunto de ações culturais e educativas visando uma formação ampla e irrestrita, alcançando mais de 600 alunos da rede estadual de ensino público de 8 municípios acreanos, apresentando espetáculos, intervenções urbanas, publicações, oficinas, cineclubismo e mostras de cinema.
Sempre interessado nesse amplo debate brasileiro com as demais regiões, realizou mais de 58 entrevistas com professores, antropólogos, historiadores, jornalistas e artistas do teatro, da música, cinema, literatura e artes plásticas, em parte disponibilizadas nesse seu primeiro filme produzido pelo Coletivo CATAC.
O filme pretende apresentar essa história, reunida através de imagens, documentos e depoimentos de significativas vozes acreanas, em um profícuo diálogo com historiadores, jornalistas e artistas brasileiros como Antônio Alves, Francisco Piãko, Kixirrá Jamamadi, Wanãn Jamamadi, Maurice Capovilla, João das Neves, Zuenir Ventura, Paulo José, Antunes Filho, Dona Ivone Lara, Monarco, Marília Pêra, Dona Lúcia Rocha, Bibi Ferreira, Amir Haddad, Zé Celso Martinez Correa e Nélson Pereira dos Santos entre muitos outros.
Ficha técnica
DIREÇÃO: Flávio Kactuz ROTEIRO: Isis Farias e Flávio Kactuz. MONTAGEM: Neurivan de Barros. DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Maria Rita, Nony Maia e Isis Farias ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Marcel Sanderson e Samirra Ganum APOIO À PRODUÇÃO: Jocilene Barroso e Kixirrá Jamamadi. ASSISTENTE DE MONTAGEM: Gabriel Martins MIXAGEM E MASTERIZAÇÃO: Bauer e Leon Marin França.
PARTICIPAÇÕES E DEPOIMENTOS: Adalberto Queiroz, Antônio Alves, Antunes Filho, Bibi Ferreira, Binho Marques, Francisco Piãko, Francis Mary, Dona Ivone Lara, João das Neves, João Donato, Jorge Henrique Queiroz, Dona Lúcia Rocha, Marília Pêra, Maurice Capovilla, Monarco, Nelson Pereira dos Santos, Paulo José, Silene Farias e Wanãn Jamamadi, entre outros.
COLETIVO CATAC: Flávio Kactuz, Isis Farias, Jocilene Barroso, Kixirrá Jamamadi, Maria Rita, Neurivan de Barros, Nony Maia,e Samirra Ganum
CONTATOS PRODUÇÃO:
ACRE – Maria Rita (068) 9957- 9413 Nony Maia (068) 9951-4926 e Samirra Ganum (068) 8405-1223
SUDESTE: Isis Farias (019) 99606-7438



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