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quarta-feira, 22 de julho de 2026
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“Criticar é fácil, quero ver alguém ajudar”, desabafa amigo de Daniel Leitão

“Criticar é fácil, quero ver alguém ajudar”, desabafa amigo de Daniel Leitão

Daniel Leitão, de 36 anos, era um desconhecido da sociedade até o início da semana, quando uma internauta o denunciou nas redes sociais afirmando que ele pedia dinheiro no semáforo e se não tinha o pedido atendido riscava o carro das vítimas.

Após a divulgação de sua imagem, na última quarta-feira, 30, Daniel foi preso por uma guarnição da Polícia Militar. No entanto, por não existir queixas contra ele, foi solto.

O vídeo de Daniel detido foi compartilhado em redes sociais e internautas revoltados com a atitude disparam comentários como “se vier com gracinha, passo por cima”, “é um noiado”, “tem que pegar e dá uma surra, já que a justiça não faz”. O que muitos não sabem é que antes de se render ao vício das drogas, o jovem teve uma vida e amigos.

E foi, exatamente, por ter tido amigos, antes de viver como um morador de rua, que um deles ao se deparar com a situação do homem se comoveu e fez um desabafo sobre a história dele antes do vício.

O jovem Paulo Vithor Francklis, filho de Paulo Izaque Francklis, amigo de infância de Daniel, usou as redes sociais para relatar o que viu e ouviu do pai falar sobre o rapaz preso na última quarta.

“Ele estudou em um dos melhores colégios particulares da capital, foi morador do bairro Estação Experimental, é filho de pessoas boas, conhecida como classe alta. Era muito amigo do meu pai, ele ia pra aula todos os dias, mas o que fez Daniel ser assim foram àquelas amizades que ninguém deveria ter. E nesse percurso acabou conhecendo as drogas”, diz Vithor.

De acordo com o estudante, quando mais jovem, Daniel namorava uma moça famosa, modelo na época e mãe do seu filho. Porém com o tempo o vício foi dominando a ponto de deixá-lo dependente. Ele foi internado em clínicas particulares, mas com o tempo tinha suas recaídas. A família lutava por ele, e ele também lutou contra o vício a ponto de pedir para sua mãe o amarrá-lo para que ele não saísse para se drogar.

“Só que a dependência falou mais alto, Daniel Leitão perdeu sua família, a mãe do seu filho não aguentou mais. Chegou um tempo que ele quebrava o telhado pra fugir de casa, pois o vício o dominava. Por vergonha seus familiares se mudaram para outro bairro. Vê-lo nesse estado nos deixa triste, um cara que sempre andou com roupas de marcas, nunca foi de faltar namorada, foi e ainda é bacana e boa pinta, mas por motivos de vício chegou nesse ponto”, desabafa o amigo, que lamenta pelo julgamento da sociedade.

O apelo

Recentemente, Izaque encontrou o amigo pedindo dinheiro no semáforo. Ao ser reconhecido Daniel chorou e se afastou do carro tomando rumo ignorado.

Depois desse encontro a família sentiu o desejo de ajudá-lo. Desejo esse que aumentou após a repercussão da imagem do homem de forma tão negativa.

“Daniel, em si, nunca faria isso. A droga o faz cometer esses atos. Esse cara aí drogado, vagabundo, como falam, é ser humano, e precisa de ajuda. Quem é usuário, tem filho ou parente assim, sabe que ele precisa de Deus. Quem conviveu com esse rapaz sabe quem era ele de verdade”, relata Izaque.

O amigo conta que, a cicatriz que Daniel tem na perna foi quando estava em São Paulo para se tratar e no mesmo dia foi atropelado. Ele não fez o tratamento e quando se recuperou voltou para as drogas.

Tristes com os últimos acontecimentos, a família pede que alguém, que tenha uma clínica de recuperação, se sensibilize e o ajude a sair dessa vida. “Da maneira que podem ajudarão o levando a uma barbearia, dando comida, o higienizando. Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Não queremos ganhar mídia, queremos que a sociedade mude, violência gera violência. Antes de ser um viciado morador de rua, existiu um filho, um amigo, um pai, um ser humano. Assim como ele, há vários ‘Danieis’ espalhados por aí precisando de mais ajuda e menos julgamento”, finaliza Francklis.