Cotas para travestis e transexuais é uma reparação histórica?

GUILHERME LIMES

A discussão acerca das cotas ainda é algo que divide opiniões. Quando se trata, então, sobre a pauta de cotas para pessoas pretas, o assunto ainda não é compreendido por determinadas pessoas persistindo em advertir este meio de divida histórica. E também quando se é inserido a temática de cotas para transexuais e travestis, este assunto assume o mesmo caráter de opressão e é visto como uma “chacota”.

No Brasil, foi-se criada a lei de Cotas. Na qual uma universidade pública garante, geralmente, 50% das vagas para  cotas e outros 50% para ampla concorrência. 

Uma pesquisa apontada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Andifes, neste ano de 2019, apenas 0,1% dos estudantes se declararam como mulheres transexuais e outros 0,1% se matricularam como homens transexuais. Ou seja, não corresponde nem a 1% do total de estudantes.

Apenas 12 universidades federais públicas de todo o país disponibilizam o direito a cotas para transexuais e travestis.

Transexuais e travestis em situação de rua

De acordo com o Censo realizado pela Prefeitura de São Paulo, desde 2015, ocorreu um crescimento de mais de 54% do número de transexuais e travestis em situação de rua. Após serem expulsos de suas próprias residências ou optarem por se mudarem de suas cidades natais em busca de novas oportunidades e até mesmo para escaparem da violência e perseguição.

Mikaela, travesti baleada no olho em 2019

Deste modo, acabam ficando a mercê da miséria social. O número de oportunidades se torna invisível. A exclusão social se soma a discriminação.

Assim se destinam a trabalhos de prostituição para sobreviver. Ainda assim, as condições são precárias, e os excluem socialmente, principalmente, quando tratamos de mulheres transexuais e travestis.

Devida a falta de oportunidade que vivenciam, a discussão para a promoção de cotas para pessoas transexuais e travestis dentro das universidades e concursos vêm sido discutida. Entretanto ainda não é bem debatida por autoridades políticas e também pela população brasileira, principalmente, os homens.

De acordo com a Jusbrasil, mais de 90% de transexuais e travestis acabam optando pela prostituição para tentarem sobreviver devido pela falta de acesso ao trabalho, e também educação.

Há 10 anos consecutivos, o Brasil lidera o ranking de assassinato de transexuais e travestis no mundo.