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Correios anunciam fechamento de agências e empréstimo de R$ 20 bilhões para evitar colapso financeiro

Brasília (DF) — Os Correios anunciaram nesta quarta-feira (19) um amplo plano de reestruturação nacional que inclui o fechamento de até mil agências consideradas deficitárias, redução de pessoal e a contratação de um empréstimo estimado em até R$ 20 bilhões para tentar conter a crise financeira que atinge a estatal.

A empresa acumula um prejuízo de R$ 4,37 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, ampliando um cenário negativo registrado desde 2022.

O plano foi elaborado pela nova gestão liderada por Emmanoel Schmidt Rondon, que assumiu a presidência da estatal em setembro após a saída de Fabiano Silva dos Santos.

Principais medidas do plano

O pacote aprovado prevê:

  • Contratação de um empréstimo garantido pelo Tesouro Nacional;
  • Fechamento de até mil agências com baixa demanda e alto custo operacional;
  • Criação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV);
  • Venda de imóveis para arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão;
  • Modernização tecnológica, ampliação logística e adaptação à demanda do e-commerce;
  • Avaliação de fusões ou parcerias com empresas privadas do setor.

Segundo a estatal, o empréstimo é considerado “indispensável para a transição estrutural” e só será liberado mediante o cumprimento de metas de redução de despesas e melhoria na governança.

Serviços essenciais devem permanecer

Em comunicado, os Correios afirmaram que os serviços considerados estratégicos serão mantidos, incluindo:

  • distribuição de livros escolares;
  • logística do Enem;
  • transporte de urnas eletrônicas;
  • atendimento em municípios sem operadores privados.

A empresa ressaltou que continua sendo a única rede logística com cobertura total em todos os municípios do país.

Cenário internacional

A direção da estatal argumenta que a queda na receita de serviços tradicionais é uma tendência mundial provocada pela digitalização de documentos e correspondências. Especialistas, porém, destacam que países como Alemanha, Estados Unidos e França avançaram com modelos híbridos e parceria com empresas privadas, caminho que pode ser estudado para o Brasil.