Os Correios planejam um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) que pode resultar na saída de até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027. A medida faz parte do Plano de Reestruturação 2025–2027, que também prevê o fechamento de agências que dão prejuízo, venda de imóveis e corte de despesas.
A ideia da direção é que 10 mil funcionários deixem a empresa em 2026 e outros 5 mil em 2027. Com isso, os Correios esperam diminuir o déficit no próximo ano e voltar a ter lucro em 2027. Ao mesmo tempo, a estatal afirma que pretende continuar atendendo todo o país, mesmo onde o serviço é mais caro de manter.
Internamente, o PDV é visto como um dos pontos mais delicados do plano, já que o corte reduz custos, mas também muda a estrutura de trabalho, desde a logística até o atendimento nas agências. O assunto também tem impacto político, por envolver uma empresa pública presente em praticamente todos os municípios.
Ex-presidente prevê ainda mais desligamentos
O ex-presidente dos Correios, Heglehyschynton Valério Marçal, avalia que o número de adesões pode ser ainda maior. Segundo ele, a estatal — que hoje tem cerca de 90 mil trabalhadores, somando diretos e terceirizados — pode encolher entre 20 mil e 30 mil postos.
Para Marçal, a perda de confiança dentro e fora da empresa contribui para esse cenário e aumenta o risco de o Correio depender cada vez mais de dinheiro público.
Empréstimo bilionário para reforçar o caixa
Para ajudar na reestruturação financeira, o Tesouro Nacional autorizou um empréstimo de até R$ 12 bilhões para a estatal, com garantia da União. Antes disso, havia sido avaliada uma linha de crédito de R$ 20 bilhões, que não avançou.
O desafio agora é fazer com que o corte de gastos caminhe junto com melhorias na operação, para que a empresa consiga recuperar receita e não perca capacidade de entrega — especialmente no mercado de encomendas, onde disputa espaço com transportadoras privadas.
Próximos passos
Os próximos meses devem mostrar se o PDV vai realmente ajudar a reduzir despesas sem prejudicar a qualidade do serviço. Também será decisivo ver se os Correios conseguem reconquistar clientes nos grandes centros urbanos, onde está a maior parte do faturamento.


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