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sábado, 1 de agosto de 2026
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Concurso Público para Médicos já!

O cancelamento do concurso público simplificado na última semana trouxe à tona um desafio antigo para a Secretaria de Saúde do nosso Estado: a fixação de profissionais médicos. Dia 02 de maio se encerram os contratos provisórios de mais de 200 profissionais que, pacientemente, aguardam por uma solução definitiva que os fizessem permanecer nas suas lutas diárias pela manutenção de um atendimento digno ao povo acreano. O êxodo de médicos do Acre é sabido pelo Executivo e Legislativo desde os tempos remotos da gestão petista, impulsionado por melhores oportunidades – e condições de trabalho – em Rondônia e outros Estados do Brasil. Quem não se lembra da ocasião em que uma Secretária de Saúde chamou, publicamente, num programa de televisão, os médicos de mercenários? Pois é! Somam-se a isto o fato da gestão passada ter retirado da categoria diversos direitos que eram previstos em lei! E postergaram a publicação de concurso público efetivo, mesmo sob expressa recomendação da Procuradoria Geral do Estado, mantendo centenas de profissionais em contratos precários, provisórios e sem qualquer perspectiva de terem um contrato definitivo. Perdemos! Perdemos dezenas de profissionais que, desestimulados e destratados, procuraram ares novos em outras terras. E não se arrependeram. O governo progressista herdou uma tarefa hercúlea mas, genuinamente, tem demonstrado habilidade no trato com a coisa pública, trazendo novamente o diálogo à mesa e mostrando-se aberto às sugestões dos profissionais de saúde. Mas boa vontade sozinha não resolve problemas. A suspeita de fraude no concurso recém-cancelado expôs os flancos da Sesacre: um processo realizado às pressas, utilizando edital da administração passada e sem padronização da avaliação dos concorrentes. Pelos resultados apresentados e critérios exigidos, sobrariam vagas entre os médicos concorrentes, deixando de fora dezenas de profissionais, que atualmente trabalham em contratos emergenciais, justamente neste momento crítico pelo qual nossa Saúde vem passando. A final de contas, qual acreano usuário do SUS não sabe que faltam profissionais nas UPAs, Huerb e MBH, os gargalos da saúde do nosso estado? Justiça seja feita: o governador, ao menor rumor de irregularidades, instantaneamente e de forma republicana cancelou o certame e prometeu punir os responsáveis. Contudo, o deslize de seus escudeiros trouxe à tona a discussão sobre a necessidade urgente da publicação, ainda neste ano, de concurso público efetivo. É de interesse público que os profissionais tenham motivo para aqui se fixarem, estabelecerem raízes e contribuírem para o progresso do nosso Estado. Há entraves impostos por órgãos reguladores, mas o Chefe do Executivo, com perseverança, paciência e competência, certamente saberá solucionar. E, voltando aos direitos subtraídos dos médicos pelo Estado no ano passado, já não há mais motivos para postergar a justa correção, com reinclusão dos mesmos na folha de pagamento dos dedicados profissionais. Talvez não seja momento de se preocupar com accountability: a prestação de contas maior é com o povo acreano – que precisa de médicos – e com os próprios profissionais, os verdadeiros heróis engajados no funcionamento da saúde pública do nosso estado.

* O ministro da saúde Mandetta sinalizou querer facilitar o reconhecimento de diplomas estrangeiros em detrimento de uma prova unificada e coordenada pelo Conselho Federal de Medicina, na contramão do bom senso e da prática internacional.

*Dr Guilherme Pulici é médico especialista em Alergia e Imunologia e Pediatria, Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre e Secretário da Federação Médica Brasileira