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sexta-feira, 7 de agosto de 2026
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Como o desemprego atinge diferentes regiões do Brasil

A distribuição do desemprego no Brasil não é homogênea, mostram dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O Nordeste é a região com situação mais vulnerável: é onde o desemprego está mais alto e a renda está mais baixa.

Os dados foram colhidos pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que abrange um grupo representativo da população brasileira. A cada três meses, ela visita 211 mil domicílios por todo o território nacional, levando em conta localização e classe social, e coleta dados sobre trabalho, renda, entre outros.

No recorte mais recente da pesquisa, divulgado em 19 de novembro, o IBGE consolidou dados do emprego para cada região e estado, mostrando como a situação do trabalho evoluiu por todo o Brasil, trimestre a trimestre.

O DESEMPREGO POR REGIÃO


O desemprego avançou por todo o país desde 2012, primeira data incluída no estudo. Mas, em cada região do Brasil, a desocupação evoluiu de forma diferente, e em patamares desiguais.

11,8% foi a taxa de desemprego registrada no Brasil no terceiro trimestre de 2019

Os números mostram que apenas duas regiões têm desemprego acima dessa média nacional: o Sudeste e o Nordeste. Mas a distância entre o desemprego nesses dois locais é considerável.

DISPARIDADE REGIONAL

Taxa de desemprego, por região. Nordeste bem acima dos outros. Na sequência, Sudeste e Norte, com Centro-Oeste abaixo e Sul com o menor de todos.

O Sudeste registrou uma taxa de desocupação de 11,9% no terceiro trimestre de 2019 – apenas 0,1 ponto percentual acima da média do país. De forma semelhante, o Norte observou um desemprego próximo da média nacional: 11,7%.

As maiores disparidades podem ser notadas no Sul e no Nordeste. No Sul, a taxa de desemprego é a única que fica abaixo de 10%; no Nordeste, ela chega a quase 15%. Desde o final de 2012, todos os trimestres observados pelo IBGE registraram o Sul como a região com a menor desocupação, e o Nordeste, com a maior.

A SITUAÇÃO REGIONAL DA RENDA


A disparidade regional aparece também sob a ótica da renda. O Norte e o Nordeste têm renda significantemente menor que as outras três regiões brasileiras, o que se manteve estável desde 2012.

RENDA DESIGUAL

Rendimento médio real do trabalho, por região. Sudeste, Centro-Oeste e Sul em um patamar bem superior a Norte e Nordeste

O estudo do IBGE mostra que Sudeste, Sul e Centro-Oeste estão em faixas de renda média parecida desde 2012. Em termos reais de 2019, o valor mensal recebido habitualmente pelo trabalho fica em torno de R$ 2.500 em cada um desses lugares. As três regiões ajudam a puxar a média nacional para cima; no terceiro trimestre de 2019, ela ficou em quase R$ 2.300 por mês.

Já no Nordeste e no Norte, a renda média em 2019 ficou novamente abaixo de R$ 2.000 mensais, assim como nos anos anteriores. O rendimento médio mensal do trabalhador nordestino ficou em R$ 1.574 entre julho e setembro de 2019; já o do trabalhador nortista ficou em R$ 1.723 nesse mesmo período.

A diferença regional mostra que um sudestino ganha, em média, pouco mais de R$ 1.000 reais a mais do que um nordestino, segundo os números observados no terceiro trimestre de 2019.

O QUADRO DO EMPREGO EM CADA ESTADO


Os números do IBGE também revelam como está a situação do desemprego em cada estado. Novamente, aparece uma discrepância entre o Nordeste e as outras regiões.

Dos nove estados nordestinos, seis estão entre os dez locais com maior desemprego no Brasil. As exceções são Piauí (13°), Ceará (15°) e Paraíba (17°).

Desemprego no 3° trimestre de 2019, por estado. Bahia lidera, seguido de Amapá e Pernambuco. O antepenúltimo é o Mato Grosso; depois, Mato Grosso do Sul. O menor desemprego está em Santa Catarina.

O IBGE considera que a comparação com o segundo trimestre de 2019 só é significativa, em termos estatísticos, em dois estados: Rondônia e São Paulo. Enquanto Rondônia teve aumento do desemprego, São Paulo registrou queda.

Em relação ao terceiro trimestre de 2018, em cinco estados foram detectadas mudanças, em termos estatísticos. Em Goiás e Mato Grosso houve aumento na desocupação, enquanto São Paulo, Alagoas e Sergipe registraram queda no desemprego na comparação entre o terceiro trimestre de 2019 e o mesmo período de 2018.

Ao mesmo tempo em que o desemprego tem se mantido em níveis mais altos no Nordeste, os seis estados com maiores taxas de subutilização pertencem à região. Em termos gerais, esse indicador mostra quanta mão de obra é desperdiçada em um local. Ela é composta pela soma de:

Desocupados, que são os desempregados; pelos critérios do IBGE, essa categoria consiste naqueles que procuram emprego, mas não estão trabalhando

Subocupados, que são os que trabalham menos que 40 horas semanais, mas gostariam de trabalhar mais horas

Força de trabalho potencial, que é a soma das pessoas que por algum motivo não podem assumir um compromisso naquele momento com os desalentados, que são os que gostariam de trabalhar mas deixaram de procurar emprego por falta de esperança

Os seis estados brasileiros com maiores taxas de subutilização, em ordem crescente, são Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Piauí, Bahia e Maranhão. Em todos esses estados, a taxa de subutilização está acima de 35% – em nenhum estado do Sudeste ela está acima de 23%.

nexojornal