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sábado, 8 de agosto de 2026
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Combate ao PL 6024 marca falas no encontro de juventudes da Semana Chico Mendes

“A voz da floresta não pode parar”, anunciou Joy, que conduzia a dinâmica de aquecimento da abertura do evento nesta quarta (15). Reunidos para lembrar o legado do ambientalista Chico Mendes, cerca de 100 jovens escutavam atentamente outras lideranças, também jovens, sobre porquê de estarem reunidos em um auditório, localizado no Centro de Xapuri, interior do Acre.

O encontro da juventude marcou o início da programação (Foto: Jefferson Xavier)

A defesa da Resex Chico Mendes apareceu nas falas de abertura, como exemplo do tipo de ameaça que os povos tradicionais e populações indígenas ainda precisam enfrentar. O PL 6024/2019, de autoria da deputada estadual Mara Rocha (PSDB-AC), em tramitação na Câmara Federal, propõe a redução dos limites da Resex e a transformação do Parque Nacional da Serra do Divisor em uma Área de Proteção Ambiental (APA), fragilizando sua proteção. O projeto de lei foi duramente criticado pela juventude.

“A Resex é uma unidade só, e querem dividi-la. As pessoas nasceram e cresceram lá. Hoje temos uma ameaça, outras pessoas estão comprando terras lá –uma terra que não deveria estar sendo vendida– pessoas que não têm o perfil extrativista. [Nosso modo de vida, nós] estamos sob ameaça”, explicou Val Souza, jovem da Resex que participou da abertura do evento. 

Val Souza também lembrou que, nessa luta, a participação da juventude é fundamental – a quem Chico Mendes confiou seu legado e a herança de uma revolução que pode mudar o mundo.

Uhnepa Nukni, liderança indígena, também demonstrou seu apoio à Resex, contra o PL 6024. “Como jovens, a gente precisa se conectar com nossa essência. Sejam firmes, não desistam [de suas lutas]. Hoje estou aqui defendendo não apenas a Terra Indígena (TI) que lidero, mas todos os territórios em ameaça, como a Resex Chico Mendes”. Ele ainda comparou: [se é tão bom] faz então garimpo na cidade.

Jovens de vários lojcais estiveram juntos da abeetura do evento (Foto: Jefferson Xavier)

A jovem Val Munduruku contou das ameaças sofridas por seu povo: “todo dia a gente acorda com novas ameaças [no nosso território], garimpo, fazendeiros. Nosso povo está ameaçado pela contaminação de mercúrio. Dizem que somos contra o desenvolvimento, mas estamos lutando pela nossa sobrevivência”. A indígena acrescentou ainda que a juventude não pode se calar e precisa estar à frente. “Precisamos incentivar a base para saber dos nossos direitos, fazendo esse trabalho de base e formação de outros jovens”, disse.

Segundo a neta de Chico e integrante do Comitê Chico Mendes, Angélica Mendes, a Semana Chico Mendes rememora o legado, mas, também pauta a luta em defesa dos territórios.  “Quem tem o poder [de fazer isso] são vocês aqui. Precisamos ocupar os espaços e conquistar os direitos, que já são nossos”, endossou.