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sábado, 4 de julho de 2026
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Cinema brasileiro celebra indicações históricas de “Ainda Estou Aqui” ao Oscar


As três indicações do filme “Ainda Estou Aqui” ao Oscar – melhor filme, melhor filme internacional e melhor atriz – trouxeram euforia ao cinema brasileiro. A obra, dirigida por Walter Salles, alcançou um feito inédito: é o primeiro filme nacional indicado na principal categoria do prêmio em 97 anos de história.

A conquista emocionou personalidades do cinema e da cultura no Brasil, incluindo Fernanda Montenegro, indicada ao Oscar de melhor atriz em 1999 por Central do Brasil, também dirigido por Salles. Desta vez, o motivo da celebração é ainda mais pessoal: sua filha, Fernanda Torres, concorre na mesma categoria pela atuação como Eunice Paiva, protagonista do longa.

“Meu coração de mãe está em estado de graça. É um ganho cultural para o Brasil, um momento de realização para nossa família e para o cinema brasileiro”, declarou Fernanda Montenegro nas redes sociais.

Impacto no cinema nacional

O crítico de cinema Chico Fireman destacou a importância histórica da indicação. “Pela primeira vez, o Brasil é reconhecido na categoria de melhor filme. É um marco de visibilidade que coloca nossa cinematografia em outro patamar. Embora o cinema brasileiro não dependa de validação internacional, esse tipo de reconhecimento atrai holofotes e aumenta o interesse global por nossas obras”, afirmou.

Fireman também enfatizou o papel político da trama, que aborda as violências da ditadura militar brasileira. “É um tema universal que ressoa em diferentes partes do mundo, especialmente neste momento histórico”, explicou.

Sérgio Machado, diretor de filmes como Abril Despedaçado, classificou a obra como um marco cultural. “Ainda Estou Aqui” ão é apenas sobre o passado. É sobre o Brasil, suas histórias e a capacidade de superação de nossa cultura. Walter Salles e Fernanda Torres representam o que temos de melhor na arte cinematográfica”, comentou.

Uma obra sobre memória e resistência

Baseado na autobiografia de Marcelo Rubens Paiva, o filme retrata o desaparecimento de Rubens Paiva, político assassinado pela ditadura, sob a perspectiva de sua esposa, Eunice. O roteiro acompanha a trajetória dela como mãe de cinco filhos e como uma figura de resistência durante os anos de chumbo.

Além de concorrer a melhor filme e melhor atriz, a produção também disputa na categoria de melhor filme internacional, ao lado de obras de países como Dinamarca, França e Alemanha.

Desafios e torcida brasileira

O favoritismo na categoria de melhor filme internacional recai sobre Emilia Pérez (França), mas a interpretação de Fernanda Torres recebeu elogios unânimes, o que pode abrir caminho para uma possível vitória.

Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, destacou o poder da obra em mobilizar o público. “Esse filme resgatou o orgulho do brasileiro pelo cinema, trazendo um clima de torcida similar ao de uma Copa do Mundo. É emocionante ver nossa cultura ganhar esse espaço de destaque”, afirmou.

Ainda que a disputa seja acirrada, especialistas acreditam que as indicações já representam uma vitória histórica para o Brasil. “Mesmo sem a estatueta, o impacto de Ainda Estou Aqui será duradouro, tanto na valorização do cinema brasileiro quanto na forma como nossa história é contada para o mundo”, concluiu Chico Fireman.