Rio Branco
32°C
segunda-feira, 6 de julho de 2026
14:14

Chuva impõe que seja feito apenas o serviço emergencial na malha viária

Chuva impõe que seja feito apenas o serviço emergencial na malha viária

O regime de chuvas na Amazônia é o dos mais intensos do País. De novembro a abril, chove quase todos os dias. Para o meio ambiente, esse clima é fundamental. É o que garante a grande diversidade de vida. Mas para a infraestrutura das cidades, essa intensidade de chuvas já não é bem-vinda.

As chuvas dificultam a realização de obras e elevam os custos de qualquer serviço, principalmente aqueles realizados em céu aberto.

E é justamente esse o problema encontrado pela Prefeitura de Rio Branco na recuperação da malha viária da cidade, no serviço de tapa-buracos e limpeza urbana, entre outros.

Nesta quinta-feira, 10, a prefeita Socorro Neri falou sobre esses problemas e explicou o porquê da realização, apenas, de serviços emergenciais e paliativos. Socorro garante que executar uma obra mais robusta implicaria em desperdício de recurso, além de não ser a garantia de uma obra que venha durar maior tempo.

“O que nós temos observado é que, nesse período de intensas chuvas, aumenta a demanda pela recuperação da malha viária, mas esse também é o período mais inadequado para que a prefeitura faça uma ação de maior peso, de maior volume, à medida em que o solo está fragilizado o que impede que a obra tenha durabilidade exigida”, explicou Socorro Neri.

Outro problema que dificulta e encarece as obras é a falta de insumos adequados, como pedras, por exemplo. Todas as pedras e seixos têm que ser importados de pedreiras fora do Estado. Aliado a isso, o solo acreano também se mostra frágil. A compactação acaba não sendo tão eficiente quanto em outras regiões.

“É o chamado ‘custo amazônico’ que acaba elevando muito o custo das obras.”

A prefeita argumentou que a administração de Rio Branco tem recursos limitados, que estão sendo otimizados, não cabendo neste momento de crise que passa o Brasil, ser desperdiçado.

“Estamos nos preparando para empregar os recursos do orçamento de 2019 em uma ação de recuperação das vias com obras de maior qualidade, que garanta maior durabilidade.”

prefeita

Cerca de 10% do orçamento empregado em recuperação viária

Para exemplificar o quanto é alto o gasto da prefeitura com obras de recuperação viária, Socorro Neri revelou que, em 2018, foram investidos cerca de 10% do orçamento, um total de R$ 47 milhões.

“Para um orçamento de recursos próprios e recursos de transferência da União de R$ 440 milhões, utilizar R$ 47 milhões com recuperação de malha viária significa uma parcela muito grande do orçamento”, disse Socorro Neri. “Não tenho nenhum estudo que comprove isso, mas, certamente, esse é um dos maiores percentuais entre as capitais País”.

Apesar disso, a prefeita concorda que esses recursos são insuficientes para a demanda de Rio Branco.

Via Chico Mendes não e de responsabilidade do município

Na quarta-feira, 9, protestos de moradores residentes nos bairros do Segundo Distrito, da região próxima à saída da cidade, resultaram no fechamento da Via Chico Mendes. A obra de recuperação daquela via é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), mas a administração municipal tem sido cobrada pela comunidade pelos buracos surgidos ao longo da via. Apesar disso, homens e máquinas da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) têm trabalhado constantemente para garantir o tráfego de veículos.

As cobranças são legítimas

Socorro Neri reconhece que são legítimas as cobranças da população quanto à recuperação da malha viária da cidade. Ela explica que sua equipe mantém sempre atualizado um diagnóstico e mapeamento das necessidades da cidade deixando claro que sua administração tem conhecimento das demandas. Contudo, é franca em afirmar falta recursos para suprir essa demanda que se tornar cada vez mais crescente a cada novo período chuvoso.

“É evidente que nesse período das chuvas, as pessoas passem a exigir que os serviços sejam feitos com mais rapidez – e não podemos tirar a razão delas – à medida em que as chuvas agravam os problemas de drenagem e de buracos”, afirma Socorro Neri. “Nós reconhecemos as demandas existentes, reconhecemos que o trabalho feito é insuficiente e estamos, inclusive, trabalhando, permanentemente, para enxugar as despesas com a atividade meio para otimizar os recursos municipais de modo a poder fazer mais serviços e dar continuidade aos serviços essenciais para a cidade”, acrescentou. “O que eu não posso fazer, principalmente eu como prefeita, é autorizar despesas públicas que estejam além da capacidade financeira do município. Não posso fazer e não farei”, finaliza.

{gallery}fotos/2019/01-janeiro/11012019/galeria_prefa:::0:0{/gallery}