A megaoperação policial deflagrada no Rio de Janeiro nesta terça-feira (28) entrou para a história como a mais letal já registrada no estado. O que era para ser uma ofensiva contra o crime organizado se transformou em um cenário de destruição e morte, com imagens que chocaram o Brasil e o mundo.
De acordo com o governo do Rio, a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, mobilizou cerca de 2.500 agentes de segurança. O objetivo era conter o avanço territorial do Comando Vermelho (CV) e capturar líderes da facção.
O balanço oficial aponta 64 mortos — sendo 60 suspeitos e quatro policiais, além de 81 presos, 93 fuzis e meia tonelada de drogas apreendidas. Entretanto, moradores relatam ter encontrado cerca de 60 corpos em uma área de mata na Penha que não estariam incluídos na contagem oficial, o que pode elevar o número total de vítimas para mais de 100.
Cenas de horror na Penha
Durante todo o dia, moradores viveram momentos de pânico com tiroteios intensos e bloqueios nas principais vias. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram dezenas de corpos alinhados na Praça São Lucas, na zona norte da capital, para facilitar o reconhecimento pelas famílias. A cena, comparada a um campo de guerra, escancarou a gravidade da situação.
A operação, considerada a maior dos últimos 15 anos, também causou grande impacto na rotina da cidade. Mais de 50 ônibus foram usados como barricadas, afetando 120 linhas de transporte. Parte dos serviços do BRT foi suspensa, enquanto SuperVia, VLT e MetrôRio mantiveram funcionamento normal.
Escolas, universidades e repartições públicas tiveram as atividades interrompidas. Nesta quarta-feira (29), UFRJ, UERJ e UFF cancelaram as aulas, e parte do comércio permaneceu fechado.
Embate político e clima de tensão
A megaoperação reacendeu o debate sobre a responsabilidade da segurança pública no estado. O governador Cláudio Castro (PL-RJ) afirmou que o Rio está “sozinho nessa luta”, criticando a suposta falta de apoio do governo federal.
Em resposta, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, declarou que não recebeu nenhum pedido formal de auxílio para a ação. O Ministério da Justiça também divulgou uma nota listando os recursos e operações já destinados ao estado nos últimos anos.
Segundo Castro, o governo federal teria negado três pedidos de veículos blindados para operações sob Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ainda em janeiro.
Após o caos, busca por respostas
Um dos principais alvos da operação, Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como chefe do tráfico no Complexo da Penha e investigado por mais de 100 homicídios, segue foragido. A polícia oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à sua captura.
Enquanto isso, o governo federal convocou uma reunião de emergência nesta quarta-feira com o governador Cláudio Castro para discutir os desdobramentos da operação.
O Rio amanheceu em luto e sob impacto de uma tragédia que expõe, mais uma vez, o fracasso histórico da política de segurança pública no estado — e a dor de uma população que há décadas vive entre o medo e o fogo cruzado.
















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