Uma ação realizada pela Secretaria de Estado de Proteção Animal do Amazonas, em parceria com a Prefeitura de Pauini, tem chamado a atenção pela estratégia adotada para enfrentar um problema comum em diversos municípios da região: o crescimento da população de cães e gatos em situação de rua.
A iniciativa consiste na captura dos animais, realização da castração, acompanhamento pós-operatório por aproximadamente dez dias e posterior devolução ao local de origem. O procedimento segue a legislação estadual, que prevê a captura, esterilização e devolução como uma das principais ferramentas para o controle populacional de animais abandonados.
O objetivo é reduzir gradativamente a reprodução descontrolada, contribuindo para o bem-estar dos animais e minimizando impactos relacionados à saúde pública e à convivência urbana.
Exemplo para Boca do Acre
A experiência desenvolvida em Pauini pode servir de referência para Boca do Acre, onde a presença de cães e gatos abandonados nas ruas é uma reclamação frequente da população. Além das situações de maus-tratos e abandono, moradores apontam que a grande quantidade de animais circulando livremente aumenta o risco de acidentes de trânsito.
Outro problema citado é a presença constante de cães em áreas de alimentação, como lanchonetes, restaurantes e praças públicas, situação que gera preocupações relacionadas à higiene, segurança alimentar e saúde pública.
Lei aprovada, mas sem aplicação prática
O debate sobre o controle populacional de animais de rua em Boca do Acre não é recente. Durante a gestão do ex-prefeito Zeca Cruz, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei de autoria do vereador Jansen Almeida, que previa a implantação de ações voltadas ao controle de zoonoses no município.
Na ocasião, a proposta foi vetada pelo Poder Executivo, mas o veto acabou sendo derrubado pelos vereadores, garantindo a validade da legislação. Apesar disso, a norma nunca foi efetivamente implementada e o município segue sem uma política pública estruturada para o controle de cães e gatos em situação de abandono.
Atualmente integrando a base de apoio do governo municipal, Jansen Almeida possui um cenário político mais favorável para retomar a discussão e buscar a efetivação das medidas previstas na legislação de sua autoria. Entretanto, o tema ainda não voltou a ocupar espaço de destaque nas pautas do Legislativo.
Castração é apontada como medida eficaz
Enquanto isso, moradores relatam que a quantidade de animais abandonados continua crescendo em diversos bairros da cidade, ampliando os desafios relacionados à saúde pública, proteção animal e segurança no trânsito.
Veterinários ouvidos pelo Jornal Opinião destacam que programas permanentes de castração são considerados uma das formas mais eficientes de controlar o crescimento populacional de cães e gatos de rua, reduzindo novas ninhadas, casos de abandono, disseminação de doenças e conflitos envolvendo animais em áreas urbanas.
Diante dos resultados buscados pela iniciativa adotada em Pauini, cresce a expectativa de que ações semelhantes possam ser debatidas e implementadas em Boca do Acre, transformando uma antiga demanda da população em uma política pública voltada à proteção animal e à melhoria da qualidade de vida da comunidade.


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