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terça-feira, 7 de julho de 2026
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Cartas, drogas e cartões de memória são apreendidos em presídio de Rio Branco

Cartas, drogas, cartões de memória e armas artesanais foram apreendidos na quinta-feira, 15, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Acre (MP-AC), no Complexo Penitenciário Francisco D’Oliveira Conde, em Rio Branco. A atividade faz parte de uma operação nacional contra o tráfico de drogas nas unidades prisionais brasileiras deflagrada pelo MP de nove estados brasileiros em ação conjunta em todos esses locais.

Além do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro receberam as diligências da operação que teve como alvo organizações criminosas com atuação em cada unidade federativa. Coordenador adjunto do Gaeco acreano, o promotor Bernardo Albano explicou que os presidiários de Rio Branco usavam os cartões de memórias e as cartas para repassar informações, ordens e tratar de outros assuntos por meio dos instrumentos.

“Nós identificamos que com a instalação dos bloqueadores [de celulares], o trânsito de informações entre criminosos teve uma mudança de dinâmica e eles passaram a utilizar de escritos que eram transmitidos através das visitas íntimas e também na transmissão de cartões de memória. Então, essa operação visou a prospecção desses dados. E também apreendemos drogas e armas artesanais dentro do sistema prisional”, reforçou o coordenador durante as diligências no presídio.

O Gaeco contou com o apoio do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) por meio do Grupo Penitenciário de Operações Especiais (GPOE). O promotor avaliou que a apreensão de materiais ilícitos foi causada por causa de uma mudança na comunicação feita dentro do maior presídio do estado, o que criou novas formas de entrada de objetos e produtos ilícitos dentro da unidade. Albano destacou ainda que boato sobre trégua entre as facções já é investigado.

De acordo com o promotor, todo o material apreendido no Complexo Penitenciário Francisco D’Oliveira Conde será encaminhado para análise de conteúdo e autoria de cada carta e cartão de memória encontrado. Após serem identificados, os responsáveis serão penalizados por violarem as regras da unidade. O Ministério Público não informou a quantidade de drogas, armas e demais objetos apreendidos na capital acreana. Para o membro do MP-AC, esse tipo de ação é necessária.

“Muitas das ordens de crimes que ocorrem na rua partem das unidades prisionais. O Ministério Público está sempre com o olhar voltado para o sistema prisional. Daí, a necessidade de realizar rotineiramente esse tipo de ação para apreensão desse material, visando à identificação dessas lideranças”, acrescentou Albano na coletiva de imprensa para apresentar os resultados da operação. A ação foi coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC).

Outras ações

Desde julho, o Ministério Público do Acre faz grandes operações para combater o crime organizado, principalmente dentro das unidades prisionais do estado. No dia 24 de julho, foi deflagrada a Operação Hemólise, que cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão que foram cumpridos em 18 bairros de Rio Branco e nas cidades de Sena Madureira, Porto Acre, Porto Walter e Plácido de Castro. Ontem o Gaeco também divulgou a denúncia da Operação Hemólise.

A ação desencadeada no mês passado resultou na prisão de 69 integrantes de uma facção criminosa. De acordo com o MP-AC, todos os presos foram denunciados para a Justiça acreana. Entre os denunciados pelo órgão, haviam 23 chefes da organização, cinco conselheiros e 16 frentes de bairro e cidades. Conforme o Ministério Público, cada um dos denunciados pode pegar até 14 anos de prisão pelos crimes cometidos dentro das unidades penitenciárias da capital e municípios.

No Brasil

A operação dos Gaecos na quinta-feira nos nove estados resultou em cerca de 90 pessoas presas pelos crimes de tráfico e investigou policiais suspeitos de ligação com o crime organizado. A ação em todo país foi articulada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que é um colegiado que reúne todos os Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaecos) dos Ministérios Públicos dos 26 estados e também do Distrito Federal (DF).