Carne forte, caráter fraco

Menos de quinze dias após a deflagração da operação da Polícia Federal intitulada de “Carne Fraca” percebemos que a conduta ilícita causou prejuízos à imagem do Brasil e criou embaraços junto aos mercados mundiais duramente conquistados nas últimas décadas por meio de esforços dos produtores rurais e das agroindústrias.

Vale a pena fazermos algumas reflexões sobre a referida operação que teve como base, quase que exclusivamente, interceptações telefônicas, enquanto elemento de prova, àquela mais facilmente manipulável.

O delegado da Polícia Federal, Maurício Moscardi, que conduziu a Operação Carne Fraca foi o mesmo que conduziu, no Acre, a operação denominada “G7”, que além do espetáculo, nada mais conduziu produzir.

Coordenador daquela que foi chamada de a “maior operação da história da PF”, Moscardi recebeu inúmeras críticas pela divulgação considerada desastrosa, com informações generalizadas sobre os frigoríficos investigados, o que causou o fechamento de mercados internacionais, prejuízos para o setor e pânico na população. No entanto, pela quantidade dos frigoríficos investigados, das pessoas envolvidas e, sobretudo, pela fragilidade dos fatos denunciados, no máximo, tratava-se tão somente, de irregularidades pontuais, nada sistêmico, ainda que tenha sido o suficiente para produzir um estardalhaço em nível mundial. No Acre, diga-se de passagem, a excelente qualidade de suas carnes já havia se tornado no principal produto de sua economia.

A reação do Governo Federal e do próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se comparada aos estragos econômicos e sociais provocados pela Operação Carne Fraca, carecia de mais contundência. Sequer o nome do delegado que a conduziu está sendo citado. Quem sabe ele esteja se dando por satisfeito, alimentando seu ego, na condição de herói anônimo.

Mundo afora, o principal e os melhores produtos que exportamos estão servindo de antipropaganda, para depreciá-los.

Os países exportadores de carnes e derivados, decerto, encontraram na Operação Carne Fraca a oportunidade que precisavam para desqualificar a qualidade que os nossos produtos já havia conquistado em todo o mundo.

É necessário compreender a dimensão, a complexidade e o elevado grau de desenvolvimento desse importante setor da indústria nacional para considerar que os fatos apurados pela Polícia Federal são isolados e representam lamentáveis exceções dentro da cadeia produtiva.

O linchamento moral a que foi levada a nossa classe política poderá se estender aos nossos empresários até porque, no nosso país, sempre existiu um viéis ideológico contra toda a classe.

José Adriano Ribeiro da Silva é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre