Rio Branco
20°C
domingo, 5 de julho de 2026
00:12

Camponês afirma que chacina entre Boca do Acre e Lábrea foi anunciada e cobra ação das autoridades

O massacre que resultou na morte de três trabalhadores rurais no dia 25 de abril, na Gleba Recreio do Santo Antônio, no Projeto de Assentamento do Monte, no sul de Lábrea, próximo a Boca do Acre, voltou a expor denúncias antigas de violência e conflitos agrários na região da AMACRO, área de fronteira entre Amazonas, Acre e Rondônia.

Em entrevista ao site A Nova Democracia, o camponês Paulo Sérgio, liderança do acampamento Marielle Franco, em Boca do Acre, afirmou que a tragédia já vinha sendo anunciada por moradores e lideranças rurais da região.

“Isso aí não era nem para acontecer. O tanto que a gente denuncia e ninguém toma providência”, declarou.

Na emboscada, morreram Antônio Renato, de 32 anos, Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos, e o adolescente Arthur Henrique Ferreira Said, de apenas 14 anos. Outros dois trabalhadores que estavam no veículo conseguiram escapar do ataque.

Segundo Paulo Sérgio, as denúncias sobre a atuação de grupos armados ligados aos conflitos fundiários são feitas há anos. Ele afirma ainda que o homem apontado como mandante do crime continua em liberdade.

Sem citar nomes, o líder camponês declarou que o suspeito já teria ligação com outros episódios de violência no campo. “Esse cara que mandou matar essas pessoas aí já matou outras. Tem gente sumida até hoje e ninguém nunca fez nada”, afirmou.

De acordo com ele, os trabalhadores rurais vivem sob medo constante e sensação de abandono por parte das autoridades. Paulo Sérgio disse que diversas denúncias já foram encaminhadas a órgãos públicos, mas nenhuma ação efetiva teria sido adotada para impedir novos crimes.

As declarações reforçam relatos anteriores feitos pela liderança rural sobre ameaças, perseguições e presença de grupos armados em áreas de disputa por terra no sul do Amazonas.

Após o ataque, a Polícia Militar do Amazonas informou a prisão de dois suspeitos. Com eles, foram apreendidos um fuzil calibre .223, duas pistolas calibre .380, carregadores, munições, aparelhos celulares e uma motocicleta.

Apesar das prisões, a principal cobrança dos trabalhadores rurais continua sendo pela responsabilização dos supostos mandantes dos crimes. Para os camponeses da região, a chacina representa mais um capítulo de uma longa sequência de mortes, desaparecimentos e ameaças ligadas aos conflitos agrários na região amazônica.