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sábado, 4 de julho de 2026
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Campanha contra violência doméstica, familiar e obstétrica é lançada em Rio Branco

Com a intenção de levantar debates sobre os temas e fazer um enfrentamento contra a violência doméstica, familiar e obstétrica, a Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Acre (Adpacre) lançou na quarta-feira, 29, a campanha “Em defesa delas: defensoras e defensores pela garantia dos direitos das mulheres”. A ação, que iniciou na praça em frente ao Palácio Rio Branco, no Centro da capital acreana, será realizada durante um ano com diversas ações em todo estado.

Além de palestras, rodas de conversas e atendimentos jurídicos, a campanha também ofertará educação em direitos, promoção de direitos humanos, manifestações culturais, requerimentos de medida de urgência e ingresso de ações judiciais, quando estes dois últimos forem necessários. A ideia é que as atividades da campanha, que será encerrada somente em maio do próximo ano, sejam realizadas nos 22 municípios acreanos contemplando a maior quantidade de comunidades.

E nos primeiros minutos a procura pelos atendimentos já foi solicita pela população. A dona de casa Susie Pereira foi uma das primeiras pessoas que foram até o estande da Adpacre para procurar ajuda. Há dois anos ela tenta o reconhecimento de paternidade de um dos filhos e não consegue devido a falta de recursos para pagar advogados. “Preciso fazer um exame de DNA, que é caro, e vim saber como consigo de graça. Aqui tive as orientações e gostei demais do atendimento dado”.

Já Liliane Oliveira, viúva há cerca de quatro anos, foi esclarecer algumas dúvidas sobre o direito de casar novamente. A intenção dela é ter um novo matrimônio legalizado na Justiça. “Vim saber o que preciso fazer para casar de novo. Fui muito bem atendida, gostei demais dessa iniciativa. Quando cheguei aqui também percebi que está tendo essa campanha para acabar com a violência contra a mulher. É uma iniciativa muito importante e boa, todos estão de parabéns por fazer isso”.

Presidente da Adpacre, o defensor público Rafael Figueiredo explicou que a campanha faz parte da série de ações desencadeadas no início do mês pela a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) em parceria com as associações estaduais. Segundo ele, palestras, rodas de conversa, entrega de cartilhas sobre os temas e atendimentos serão feitos durante o ano de realização da campanha. A ideia é levar esses serviços no maior número de comunidades possível.

“Queremos difundir essas atividades no interior. É muito importante falarmos sobre a garantia dos direitos das mulheres, essa é uma preocupação da Anadep e Adpacre a partir dos índices desses tipos de violências no Brasil e no nosso estado. Essa é a justificativa da nossa ação, o Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo, a cada duas horas uma mulher morre no país devido à desigualdade de gênero. Em 2018 foram mais de 90 mil denúncias de violência”, destacou Figueiredo.

O defensor público lembrou que a violência contra a mulher acontece de forma física, moral, psicológica e sexual. Segundo ele, a campanha contará com a parceria da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), Ministério Público do Acre (MP-AC), Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre (OAB-AC) e diversos movimentos sociais ligados à luta em defesa dos direitos das mulheres.

“Além dar de visibilidade as mulheres, queremos também por meio dessa campanha diminuir os índices de violência no Acre. Para difundir conhecimento à população, vamos fazer seminários e palestras em diversas cidades destacando a ótica da mulher negra e carcerária, que são mais vulneráveis a essa situação do que as brancas. Também daremos uma atenção para violência obstétrica, verbal e das mulheres em situação de rua. São temas essenciais”, finalizou o presidente da Adpacre.