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terça-feira, 9 de junho de 2026
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Caixa renegocia R$ 820 milhões no novo Desenrola Brasil e prepara uso do FGTS nas dívidas

A Caixa Econômica Federal já renegociou cerca de R$ 820 milhões em dívidas por meio do novo Desenrola Brasil, programa relançado pelo Governo Federal para ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a recuperarem o acesso ao crédito.

O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (15) pelo presidente da Caixa, Carlos Vieira, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

Lançada oficialmente em 4 de maio, a nova etapa do programa terá duração de 90 dias e prevê:

• Descontos de até 90% nas dívidas;
• Juros reduzidos;
• Possibilidade de parcelamento;
• Uso do FGTS para abatimento de débitos.

Segundo o Ministério da Fazenda, o Desenrola 2.0 já se aproxima da marca de R$ 1 bilhão em dívidas renegociadas em todo o país.

FGTS poderá ser usado nas renegociações

Apesar do avanço nas renegociações, Carlos Vieira afirmou que o uso do FGTS ainda não começou efetivamente dentro da Caixa.

De acordo com a diretoria do banco, a previsão é que os trabalhadores possam utilizar o saldo do Fundo de Garantia para quitar parte das dívidas a partir do dia 25 de maio.

A medida é vista como uma das principais apostas do governo para ampliar o alcance do programa e reduzir a inadimplência.

Caixa reforça segurança após ataques ao Caixa Tem

Durante a apresentação dos resultados financeiros do banco, Vieira também revelou que a Caixa teve prejuízo de cerca de R$ 20 milhões no último ano devido a fraudes e ataques cibernéticos envolvendo o aplicativo Caixa Tem.

Segundo ele, a instituição ampliou os investimentos em tecnologia e segurança digital para conter os problemas.

“Nós estamos agora com praticamente zero de ataques no Caixa Tem”, afirmou o presidente da Caixa.

A expectativa é de que os investimentos em tecnologia somem aproximadamente R$ 5,9 bilhões ao longo deste ano.

Lucro da Caixa cai no primeiro trimestre

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado que representa queda de 34,4% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o banco, o desempenho foi impactado pelo aumento das provisões para perdas com crédito, após mudanças nas regras do Banco Central relacionadas à cobertura de risco de inadimplência.

Mesmo com a redução no lucro, a carteira de crédito da instituição cresceu e alcançou cerca de R$ 1,4 trilhão, impulsionada principalmente pelo financiamento imobiliário.

Setor do agro preocupa a Caixa

A inadimplência da Caixa encerrou o trimestre em 3,71%. Apesar de o banco avaliar que as carteiras de crédito imobiliário e comercial seguem sob controle, o setor do agronegócio ainda gera preocupação.

A vice-presidente de Riscos da Caixa, Henriete Sartori, afirmou que o banco espera novos impactos relacionados ao agro ainda neste ano.

“O cenário não é simples, mas nós já percebemos um arrefecimento da curva de crescimento da inadimplência”, declarou.

Atualmente, o agronegócio representa cerca de 5% da carteira total de crédito da Caixa Econômica Federal.