O esporte é uma das formas mais eficientes de mudar a vida das pessoas e o caminho para muitas outras buscarem um melhor. E foi por meio dele que Fábio Mendes de Souza, 30 anos, superou as dificuldades constantes de acessibilidade e o preconceito após sofrer um acidente que o deixou paraplégico e o obrigou a se locomover por cadeira de rodas. Foi na prática do basquete em cadeira de rodas e nas aulas de Fitdance em que ele reuniu forças para as lutas diárias e alcançou objetivos.
Souza conta que a prática de exercícios físicos faz parte do cotidiano desde a adolescência, quando começou a jogar futebol com os amigos. Antes do acidente que o tirou os movimentos das pernas – o fato ocorreu quando ele trabalhava como eletricista em uma construtora na edificação de um prédio e sem ter aviso sobre a intervenção de uma parte do local entrou em uma porta do 4º andar que não tinha escada ocasionando a fratura da coluna –, ele fazia musculação e dança em academia.
Após a cirurgia, ele teve a 12ª vértebra fraturada, Fábio conta que por um tempo ficou triste e sem motivação para seguir adiante. Percebendo que estava se entregando a inatividade e iniciando sintomas depressivos, o jovem resolveu voltar a praticar esportes. Segundo ele, a decisão foi primordial para que a vontade de viver e os objetivos em outras áreas voltassem a ocupar sua mente, já que o basquete em cadeiras de rodas e Fitdance o fizeram perceber que ele poderia superar-se.
A prática o fez retomar o ânimo de vida e reorganizar metas para a vida. O cadeirante resolveu investir na carreira acadêmica e iniciou duas graduações, Matemática na Universidade Federal do Acre (Ufac) e Ciências Contábeis na Faculdade da Amazônia Ocidental (FAAO). Por dois anos ele conciliou as duas, mas as dificuldades financeiras o fizeram optar por uma ele resolveu continuar na última. Além de ser bacharel em Ciências Contábeis, ele possui duas especializações: uma em Auditoria em Perícia Tributária e outra em Docência do Ensino Superior.
“Desde novo sempre fui muito ativo e antes do acidente já fazia musculação e dança em uma academia aqui de Rio Branco. Depois que percebi que estava me entregando as consequências da tragédia e isso estava me levando para a depressão, resolvi retomar as atividades físicas. Procurei uma outra academia e logo de cara vi as aulas de dança. Estranhei no início, mas resolvi encarar a prática depois de muitos convites que recebi dos professores e colegas de lá”, relembra o esportista.
Souza afirma que no início sentiu-se deslocado e não participava das aulas de Fitdance. Pouco tempo depois ele resolveu se integrar a turma e começou a participar ativamente das atividades assim como os demais. “A receptividade do pessoal foi importante e decidi movimentar pelo menos os braços. A partir daí fui ficando nas aulas e gostando delas, pratico até hoje. Os instrutores, administradores e colegas são muito importantes porque eles fazem de tudo para eu estar lá”.
A dança levou Fábio a outra área totalmente distante, o basquete em cadeira de rodas. Ele faz parte da Federação Acreana de Basquete e da Seleção Acreana de Basquete em Cadeira de Rodas. Com treinos constantes, o cadeirante participa de diversas competições junto aos demais integrantes do time. Ele explica que as regras são quase as mesmas do basquete tradicional, alguns pontos são diferentes devido a cadeira de rodas. A altura da cesta, por exemplo, é a mesma usada no basquete comum.
“Eu preciso me exercitar por recomendação médica, isso evita que eu ganhe peso e complique minha saúde por inatividade física. Mas eu procurei o basquete e o Fitdance para não ficar pensando direto sobre o meu acidente e sair de casa por algumas horas. Esses dois esportes me ajudaram a superar o trauma que vivi. Hoje eu sei que sou capaz de fazer as coisas e que consigo superar qualquer tipo de obstáculo. O esporte trouxe ânimo de volta para minha vida”, observa Souza.


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