Líderes do grupo dos Brics realizam nesta segunda-feira (07) o último dia do encontro no Rio de Janeiro, num dia que amanheceu chuvoso, e em meio a ameaças do presidente dos Estados Unidos de taxar países que se alinharem ao grupo dos emergentes. Além disso, o encontro termina ‘enfraquecido’ pela ausência de Rússia e China, avalia o professor de Relações Internacionais do IBMEC, Lucas Azambuja.
“O fato de Putin e Ping não comparecerem, dentro do contexto de uma Nova Guerra Fria, mostra que a iniciativa de expansão do BRICS no mínimo foi adiada, uma vez que já nos primeiros dias de seu mandato, o presidente Trump avisou retaliações com altas tarifas as ameaças do Bloco em criar uma alternativa ao Dólar para transações comerciais internacionais”, destacou Azambuja.
Já a ameaça de Trump de retaliar países que concordarem com alternativas econômicas sugeridas pelos Brics, na opinião do professor, não surpreende, por ser coerente com a linha de Donald Trump de oposição à expansão comercial da China, e que foi adotada e anunciada desde o início do mandato do presidente norte-americano.
Para Lucas Azambuja, tanto China quanto Rússia estabeleceram recuos e negociações com Trump nesse sentido, “mas o governo brasileiro não fez isso, então isso deve ter contribuído para o não comparecimento nem de Ping e nem de Putin; somado as tensões e conflitos no oriente médio”, pontuou.
De acordo com informações publicadas pelo jornal South China Morning Post, o governo chinês informou ao governo brasileiro que Xi Jinping não faria parte do encontro no Brasil porque tinha um conflito de agenda, mas que seria representado pelo primeiro-ministro Li Qiang.
O Kremlin, por sua vez, afirmou que Vladimir Putin não viria ao Brasil devido a um mandado de prisão emitido contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). O Brasil, como signatário do tribunal, deveria acatar a decisão e prender o líder russo assim que pisasse no território brasileiro.
Falta de dois grandes fundadores do Brics ‘esvazia’ reunião, afirma analista
Para o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas, o fato dos presidentes de dois dos países fundadores do Brics, com a “potência econômica que tem, como a China; e a importância política da Rússia, é claro que esvazia um pouco a reunião”.
A professora de Relações Internacionais da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (Eppen) da Unifesp, Regiane Bressan, concorda que a ausência dos líderes da China e Rússia; aliado à ameaça de Trump de taxar países aliados aos Brics, geram questionamentos importantes sobre a força e a presidência do Brasil no bloco.
“A ausência dessas figuras diminui a percepção e a relevância do encontro”, diz a analista. Além disso, segundo a professora, a falta dos líderes acaba limitando decisões em temas sensíveis, como guerra e comércio global”.
Embora ‘esvaziado’, os líderes do Brics abriram este último dia de encontro fazendo foto oficial, numa atitude que pode demonstrar a união do bloco, segundo avaliam analistas. Na abertura desta segunda (07), o presidente Lula afirmou que os países do Sul Global estão preparados para assumir o protagonismo na construção de um novo modelo de desenvolvimento.
Segundo ele, essas nações não podem aceitar o papel de fornecedores de matérias-primas e buscarão acessar e desenvolver novas tecnologias.“O Sul Global tem condições de liderar um novo paradigma de desenvolvimento, sem repetir os erros do passado. Não seremos simples fornecedores de matérias-primas. Precisamos acessar e desenvolver tecnologias que permitam participar de todas as etapas das cadeias de valor”, afirmou o presidente.
Fonte: NDMais




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