O Brasil deverá inaugurar ainda neste ano a maior fábrica de mísseis da América Latina. A unidade está em construção no município de Caçapava, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, e tem previsão de entrar em operação em novembro.
O empreendimento pertence à Siatt, empresa brasileira especializada em sistemas de defesa que atualmente integra o grupo Edge, dos Emirados Árabes Unidos, uma das maiores companhias globais do setor.
Segundo a empresa, a nova planta industrial terá capacidade para produzir até oito mísseis antinavio por mês, tornando-se a maior estrutura do gênero na América Latina em volume de produção.
“Vai ser a primeira fábrica da América Latina desse tamanho em nível de produção. É uma fábrica que pode produzir até oito mísseis antinavio por mês. A previsão é inaugurar em novembro”, afirmou Rodrigo Torres, diretor financeiro da Edge, em entrevista à revista Exame.
Produção atenderá mercado nacional e exportações
De acordo com a companhia, a nova fábrica foi planejada para atender tanto as demandas das Forças Armadas brasileiras quanto clientes internacionais.
A estratégia faz parte do processo de expansão da Siatt, que recentemente realizou a primeira entrega de mísseis antitanque ao Exército Brasileiro e vem ampliando seu portfólio de sistemas de defesa.
“Estamos investindo nessa fábrica não só para o Brasil, mas para exportação. A Siatt continua expandindo as ofertas de produtos”, destacou Torres.
Grupo dos Emirados amplia investimentos no Brasil
Criada em 2019, a Edge surgiu da união de 25 empresas dos Emirados Árabes Unidos voltadas aos setores de defesa e segurança. Atualmente, o grupo conta com cerca de 15 mil funcionários e registra uma receita anual próxima de US$ 5 bilhões.
Nos últimos anos, a companhia intensificou sua presença internacional e realizou aproximadamente 25 aquisições em diferentes países. Entre elas estão as brasileiras Siatt e Condor, fabricante de equipamentos não letais e tecnologias de segurança.
Além da nova unidade em Caçapava, a empresa também prepara a instalação de uma fábrica em São José dos Campos, voltada para soluções de monitoramento, sensores, câmeras inteligentes e equipamentos não letais.
Mercado global de defesa segue em expansão
O investimento ocorre em um momento de forte crescimento da indústria mundial de defesa, impulsionada pelo aumento das tensões geopolíticas e pela ampliação dos gastos militares em diversas regiões do planeta.
Conflitos internacionais, disputas estratégicas e mudanças no cenário de segurança global têm levado governos a reforçar investimentos em equipamentos militares, vigilância e tecnologias de proteção.
“A gente acredita que nos próximos 20 anos o mercado de defesa continuará crescendo. A Europa voltou a investir fortemente em defesa e busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos”, afirmou o executivo.
Inteligência artificial ganha espaço na indústria militar
Segundo a Edge, entre 60% e 70% dos seus produtos já utilizam inteligência artificial em alguma etapa de desenvolvimento, fabricação ou operação.
A tecnologia é empregada principalmente em radares, sistemas de vigilância, sensores avançados e plataformas de apoio à tomada de decisão, permitindo respostas mais rápidas e precisas em cenários de defesa.
Para a empresa, a integração entre inteligência artificial, drones, sistemas conectados e análise de dados será uma das principais características das operações militares nas próximas décadas.
Monitoramento de fronteiras é uma das apostas do setor
Outra tendência apontada pelo grupo é a substituição gradual de barreiras físicas por sistemas tecnológicos de monitoramento de fronteiras.
Redes de sensores, satélites, drones, radares e plataformas de comunicação vêm sendo utilizadas para ampliar a vigilância de áreas extensas e reforçar a segurança territorial.
Segundo a companhia, o Brasil também discute a adoção de novas tecnologias para fortalecer o monitoramento de suas fronteiras terrestres e marítimas, acompanhando uma tendência observada em diversos países.
Com a inauguração da nova unidade em Caçapava, o país amplia sua capacidade industrial no setor de defesa e reforça sua presença em um mercado cada vez mais estratégico e tecnológico.


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