O Brasil realizou um feito inédito na medicina ao executar a primeira telecirurgia robótica oncológica de longa distância. O procedimento foi realizado nesta terça-feira (30), conectando em tempo real o Hospital do Amor Amazônia, em Porto Velho (RO), ao Hospital de Amor, em Barretos (SP), separados por aproximadamente 2,7 mil quilômetros.
A cirurgia foi realizada em um sistema totalmente integrado entre as equipes presenciais e remotas, com o uso de robô cirúrgico. Em Porto Velho, os profissionais ficaram responsáveis pelo preparo do paciente e pela manipulação dos braços robóticos no centro cirúrgico.
Já a equipe em Barretos monitorou o procedimento em tempo real e assumiu, quando necessário, o comando dos instrumentos cirúrgicos à distância.
Como funcionou a cirurgia inédita
O procedimento exigiu uma estrutura tecnológica de alta precisão. O médico cirurgião Dr. Luis Romagnolo destacou a importância da conectividade para tornar possível a operação.
“Estamos falando de uma comunicação de milhares de quilômetros. O paciente e toda a equipe, com o robô, estão em Porto Velho, enquanto nós estamos no controle da cirurgia em Barretos. A conectividade faz essa tecnologia acontecer. O procedimento não muda; o que garante a qualidade é uma conexão segura, que permite atuar como se estivéssemos operando no local.”
Para garantir segurança e estabilidade, foram utilizadas duas conexões de fibra óptica, redundância em rede 5G e uma VPN dedicada. O sistema manteve latência inferior a 100 milissegundos, requisito considerado essencial para que os comandos do cirurgião remoto fossem executados praticamente em tempo real pelo robô.
Segundo o Ministério da Saúde, a cirurgia robótica pode proporcionar benefícios como menor sangramento, redução da necessidade de transfusões, menor tempo de internação, menos complicações e recuperação mais rápida em casos selecionados.
Tecnologia será ampliada no SUS
De acordo com o governo federal, a iniciativa busca permitir que pacientes tenham acesso a procedimentos de alta complexidade sem a necessidade de percorrer longas distâncias.
Atualmente, a cirurgia robótica está sendo incorporada gradualmente ao Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde já incluiu a prostatectomia radical assistida por robô entre os procedimentos financiados pela rede pública e também passou a investir em sistemas de cirurgia robótica.
A expansão da tecnologia ocorrerá de forma regionalizada e progressiva, priorizando hospitais habilitados em oncologia, com alta demanda cirúrgica e capacidade técnica adequada.
A estimativa do governo é que cerca de 5 mil pacientes possam ser beneficiados à medida que a tecnologia seja ampliada no sistema público de saúde.
O procedimento histórico foi acompanhado pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, e pela secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, em Barretos (SP).


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