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sexta-feira, 3 de julho de 2026
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Brasil investiga segundo caso suspeito de Ebola após alerta em São Paulo

As autoridades sanitárias brasileiras ampliaram o monitoramento contra o Ebola após a identificação de um segundo caso suspeito da doença no país. Desta vez, a investigação ocorre no Rio de Janeiro e envolve um viajante procedente de Uganda. O alerta surge poucas horas após a notificação de outro caso suspeito em São Paulo, aumentando a atenção dos órgãos de saúde.

Os resultados laboratoriais dos dois pacientes são aguardados para os próximos dias e serão decisivos para confirmar ou descartar a presença do vírus em território nacional. Caso alguma das suspeitas seja confirmada, o Brasil registrará seus primeiros casos da doença desde o início do monitoramento internacional do Ebola.

O novo alerta acontece em meio à preocupação global com o avanço de surtos da doença em países africanos, especialmente na República Democrática do Congo e em Uganda.

Paciente do Rio veio de Uganda

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o paciente investigado é um cidadão belga que chegou ao Brasil após permanecer em Uganda, uma das nações afetadas pelo atual surto.

Exames realizados no Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram resultado positivo para malária. Apesar disso, a possibilidade de infecção por Ebola ainda não foi totalmente descartada pelas autoridades sanitárias.

Como medida preventiva, pessoas que tiveram contato com o paciente estão sendo acompanhadas e monitoradas pelas equipes de vigilância epidemiológica.

Caso em São Paulo segue sob investigação

No mesmo dia, a Prefeitura de São Paulo informou que acompanha o caso de um homem de 37 anos que esteve recentemente na República Democrática do Congo, país que concentra a maior parte dos registros relacionados ao atual surto.

O paciente apresentou febre e foi submetido a exames laboratoriais no Instituto Adolfo Lutz. Os testes identificaram a bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite meningocócica.

Mesmo diante desse resultado, o homem permanece internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência nacional para o tratamento de doenças infecciosas, enquanto as investigações continuam.

Brasil nunca confirmou um caso de Ebola

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil jamais registrou um caso confirmado de Ebola desde que a doença passou a ser monitorada pelas autoridades sanitárias internacionais.

Informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, até 27 de maio, a República Democrática do Congo registrava:

• 906 casos suspeitos da doença;
• 223 mortes entre os casos suspeitos;
• 134 casos confirmados, incluindo nove em Uganda;
• 18 mortes entre os casos confirmados.

O cenário mantém autoridades de diversos países em estado de alerta devido ao potencial de disseminação internacional do vírus.

Sintomas podem ser confundidos com outras doenças

A identificação do Ebola pode ser complexa, especialmente nos estágios iniciais, porque os sintomas se assemelham aos de diversas doenças infecciosas.

Entre os sinais mais comuns estão:

• Febre alta;
• Dores musculares;
• Dor de cabeça intensa;
• Fadiga;
• Náuseas;
• Vômitos;
• Diarreia;
• Dor abdominal.

Os sintomas podem surgir entre dois e 21 dias após a infecção e, em situações mais graves, evoluir para complicações hemorrágicas.

Por esse motivo, além da avaliação clínica, o histórico de viagens internacionais e possíveis exposições ao vírus são considerados fatores fundamentais durante a investigação.

Plano nacional de contingência foi ativado

Embora o risco de transmissão seja considerado baixo pelas autoridades brasileiras, o Ministério da Saúde decidiu ativar o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais.

O protocolo estabelece medidas como:

• Monitoramento de viajantes oriundos de áreas afetadas;
• Isolamento de pacientes suspeitos;
• Rastreamento de contatos próximos;
• Reforço da vigilância epidemiológica.

O plano também prevê a possibilidade de uma nova coleta de sangue 48 horas após o primeiro exame, mesmo quando o resultado inicial apresentar resultado negativo.

As autoridades reforçam que o Ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre por meio do contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas contaminadas, geralmente quando elas já apresentam sintomas.

O protocolo nacional não prevê fechamento de fronteiras nem restrições para viagens ou atividades comerciais.

Cepa rara preocupa especialistas

Segundo informações divulgadas pela BBC, o surto atual é provocado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola, considerada rara e que ainda não possui vacina aprovada.

Especialistas apontam que essa variante representa desafios adicionais porque alguns testes laboratoriais desenvolvidos para cepas mais comuns podem apresentar dificuldades na detecção inicial da doença. Além disso, não existem tratamentos específicos voltados exclusivamente para essa espécie do vírus.

Outro fator de preocupação é o contexto onde o surto ocorre. A região afetada enfrenta conflitos e intensos deslocamentos populacionais. Estima-se que aproximadamente 250 mil pessoas tenham deixado suas residências, enquanto o trânsito frequente entre fronteiras dificulta os esforços de contenção da doença.

Enquanto os exames laboratoriais não são concluídos, as autoridades seguem monitorando os dois pacientes e reforçando as medidas preventivas para evitar qualquer risco de transmissão.