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sexta-feira, 21 de agosto de 2026
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Boca do Acre ganha reforço na vigilância indígena para combater invasões e proteger território

A Terra Indígena Boca do Acre, no sul do Amazonas, voltou a contar com equipes indígenas de vigilância para monitorar o território e registrar ocorrências relacionadas a possíveis invasões e atividades ilegais. A retomada do trabalho foi possível por meio de um projeto apoiado pelo Fundo LIRA, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), que disponibilizou equipamentos e promoveu capacitações para integrantes da comunidade.

A iniciativa busca ampliar a capacidade dos próprios povos indígenas de acompanhar o que acontece dentro do território e fortalecer a produção de informações que possam auxiliar os órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção das áreas indígenas.

Vigilância indígena é retomada em Boca do Acre

As equipes de agentes ambientais da Associação Indígena Apurinã Mayônaty já haviam recebido capacitação para atuar na proteção territorial, mas estavam sem condições de desenvolver o trabalho por falta de recursos e equipamentos.

Com o apoio do projeto, as atividades foram retomadas e os agentes passaram a realizar novamente o monitoramento de diferentes áreas da Terra Indígena Boca do Acre, registrando situações consideradas ameaças ao território.

Segundo Joemisson Apurinã, secretário executivo da associação, a estrutura disponibilizada permitiu reativar as equipes e fortalecer o acompanhamento das ocorrências identificadas dentro da área indígena.

BR-317 aumenta desafios para proteção do território

A Terra Indígena Boca do Acre está localizada em uma região estratégica do sul do Amazonas e é atravessada pela BR-317. A localização facilita o acesso ao território, mas também aumenta os desafios relacionados à proteção da área.

De acordo com a associação, entre as situações identificadas durante o monitoramento estão a entrada de caçadores, pescadores e madeireiros. A presença dessas atividades exige acompanhamento constante das áreas e maior capacidade de registrar os possíveis impactos provocados dentro do território.

Jovens indígenas recebem capacitação

Além da retomada das equipes, o projeto promoveu capacitações voltadas principalmente para jovens indígenas. Entre os conhecimentos trabalhados estão fotografia, produção de vídeos e georreferenciamento.

A qualificação permite que os agentes produzam registros mais detalhados das ocorrências encontradas durante as atividades de vigilância. Fotografias, vídeos e informações sobre a localização dos fatos podem ajudar a transformar relatos em documentação capaz de subsidiar denúncias.

Na prática, a comunidade passa a ter mais ferramentas para identificar e documentar situações que possam representar riscos ao território, facilitando o encaminhamento das informações às instituições responsáveis.

Registros podem auxiliar órgãos de fiscalização

A atuação da associação também fortaleceu o diálogo com órgãos como Ibama, Funai e ICMBio. A aproximação busca melhorar o encaminhamento das informações produzidas pelas próprias comunidades indígenas e contribuir para eventuais ações de fiscalização.

Com registros georreferenciados e materiais audiovisuais, as equipes podem apresentar informações mais precisas sobre os locais e as circunstâncias das ocorrências identificadas durante as atividades de monitoramento.

Protagonismo indígena na proteção territorial

Para a Associação Indígena Apurinã Mayônaty, a retomada das ações representa um avanço não apenas na fiscalização da Terra Indígena Boca do Acre, mas também no fortalecimento do protagonismo das comunidades na defesa do próprio território.

Em uma região extensa e marcada por dificuldades de acesso, a combinação entre capacitação, equipamentos e organização comunitária amplia a capacidade dos moradores de acompanhar diferentes áreas e documentar problemas encontrados durante as incursões.

A experiência desenvolvida em Boca do Acre mostra como a participação direta das comunidades pode contribuir para o monitoramento territorial e para a produção de informações que auxiliem as instituições públicas no combate a atividades ilegais e na proteção da Amazônia.