Fenômeno foi detectado durante ventania, com formação de cone e nuvens cumulonimbus; futuros eventos extremos podem ocorrer devido ao calor intenso.
Boca do Acre esteve na iminência de um fenômeno climático extremo na tarde do último sábado (19), segundo o professor de física Igor Sammel, que capturou imagens mostrando o início da formação de um cone típico de sistemas de baixa pressão, semelhante aos que podem evoluir para tornados de baixa intensidade. O fenômeno foi observado durante a ventania que atingiu a cidade, e a formação de nuvens cumulonimbus contribuiu para a ameaça de um evento mais severo.
De acordo com o professor, que observou as condições climáticas em tempo real, a combinação de fatores como as altas temperaturas do dia, a evapotranspiração intensa e a chegada de massas de ar frio são os principais ingredientes para a formação de sistemas de baixa pressão. “Esses elementos são comuns na formação de fenômenos extremos, como tornados. Felizmente, desta vez, o fenômeno não se completou, mas o cenário que vimos indica que a cidade pode estar sujeita a tempestades mais severas no futuro, à medida que o calor intenso continua a elevar a pressão sobre o clima local”, explicou Sammel.
Nas imagens registradas, é possível ver o cone começando a se formar no céu, um indicativo clássico de que o ar quente e úmido estava sendo sugado para cima, enquanto o ar frio descia, criando o movimento circular que caracteriza tornados. A formação não se completou, mas o fenômeno trouxe à tona preocupações sobre eventos climáticos mais extremos na região.
O episódio acende um alerta para Boca do Acre e demais áreas da Amazônia, que têm experimentado temperaturas mais altas e seca prolongada. Sammel reforça que sistemas de baixa pressão podem se tornar cada vez mais comuns em função das mudanças climáticas e do aquecimento global. “Estamos vendo mais eventos como esse no Brasil, e embora seja raro na nossa região, não é impossível que enfrentemos no futuro tempestades que tragam mais riscos”, afirmou o professor.
As imagens foram capturadas pelo professor Igor Sammel e mostram as nuvens formando um cone e prestes a tocar o solo.


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