
Todo verão é a mesma coisa, e em 2021, todo dia é o mesmo cenário: chamas nos arredores, labaredas sem fim nas grandes derrubadas, fumaça de fogo criminoso, e assim por diante. E quem paga pela irresponsabilidade dos incendiários, é a população da cidade, que deixou de respirar um ar puro e saudável, para inalar uma grande quantidade de dióxido de carbono diariamente.
O céu perdeu o azul cintilante, e o que se destaca é o branco de uma névoa, que não é uma nuvem de água evaporada, mas o resultado de queimadas gigantescas, que deixam a qualidade do ar muito ruim, prejudicando principalmente a saúde daqueles que possuem problemas respiratórios, como os asmáticos.
No contexto da pandemia da Covid-19, quando o elemento mais valioso é o ar, já que se trata de uma doença que mata por asfixia, quem mora na zona rural de Boca do Acre, especialmente nos ramais, não está muito preocupado em colaborar para uma boa respiração, ao contrário, o desejo de eliminar a vegetação para dar lugar às pastagens é preponderante, mesmo que isso signifique danos ambientais que podem ser irreparáveis.
Os órgãos ambientais que estão presentes em Boca do Acre rotineiramente, simplesmente desaparecem nesta época do ano, e mesmo que o sinal de fumaça seja claro, o helicóptero não sobrevoa o município, as caminhonetes preparadas para andar nos ramais não chegam por estas paragens, então todo mundo se sente livre e desimpedido para meter fogo na floresta.
Reação
O Governo do Amazonas lançou uma medida para tentar minorar os incêndios florestais que têm ocorrido na zona rural de municípios como Boca do Acre, Lábrea e Apuí. Neste segundo semestre, o Amazonas registra um aumento nos alertas de queimadas, principalmente no Sul do estado, e entra em situação de emergência ambiental.
Para combater crimes ambientais, o governo anunciou uma força-tarefa nesta segunda-feira (16). Ao todo, 12 municípios serão apoiados, mas Lábrea, Apuí e Boca do Acre possuem prioridade.
Uma força-tarefa foi anunciada pelo governo do Amazonas nesta segunda-feira. Foi informado o investimento de mais de R$ 615 mil em novos equipamentos para estruturar brigadas no sul do estado, além da ampliação de efetivo e novas tecnologias para a Operação Tamoiatatá, reforçando o combate ao desmatamento e queimadas ilegais no Amazonas.
Boca do Acre queima, e Lábrea leva a culpa
Dados do Inpe mostram que Lábrea lidera a lista de toda a Amazônia Legal. O município, que fica no extremo sul do Amazonas e na fronteira com o estado de Rondônia, acumula 1.397 casos.
Essa é a lógica da coisa. Os maiores focos de incêndios creditados ao município de Lábrea acontecem no Projeto de Assentamento do Monte, que tem ligação direta com Boca do Acre, fazendo com que a maioria dos donos de terras no local, sejam de origem bocacrense.
Resumindo a história toda: os proprietários das terras são de Boca do Acre, quem toca fogo é de Boca do Acre, mas como o assentamento está majoritariamente no território de Lábrea, a culpa vai para os labrenses.
Reforço
Nessa força tarefa, foi entregue mais de 4,6 mil itens operacionais e equipamentos que vão auxiliar o trabalho em campo de equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil do Estado, Sema e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), além de brigadistas capacitados pelo Governo do Estado.



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