Uma bebê e um homem que ficaram feridos na explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, morreram uma semana após o acidente, que aconteceu no dia 7 deste mês e deixou 18 pessoas gravemente feridas. A pequena Yohana Silva, de 9 meses, morreu na manhã do último sábado, 15, após ser internada em estado gravíssimo no Hospital da Criança, em Rio Branco. Antônio José de Oliveira da Silva, de 33 anos, também faleceu no mesmo dia no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, após ser transferido para Minas Gerais para tratamento especializado.
Com isso, o número de mortes causadas pela explosão subiu para quatro. Yohana morreu após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias. A criança já tinha perdido a mãe, Marluce Silva dos Santos, na terça-feira, 11, que também estava na embarcação. “Queria tanto que você tivesse resistido, meu anjinho. Se você não tivesse vindo a óbito, seria a lembrança mais viva que ia restar da nossa mãe. Mas, infelizmente Deus decidiu levar você. Agora você está juntinho da nossa mãe e de nossa vozinha! Me dá força, Senhor, eu preciso tanto”, disse Felipe Ibernon irmão da bebê.
Segundo a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), que administra o Hospital João XXIII, referência nacional em tratamento de queimados, José de Oliveira da Silva chegou em estado grave a unidade de saúde mineira na última quarta-feira, 12. O diretor Assistencial da Fhemig, Marcelo Lopes Ribeiro, explicou que o homem passou pelo bloco cirúrgico na mesma noite em que chegou em Belo Horizonte para procedimentos padrões adotados em casos de queimaduras. Entretanto, não foi informado até o fechamento desta edição a causa específica do óbito da vítima.
Irmão de Silva, Francisco Oliveira da Silva, de 55 anos, que foi para Belo Horizonte como acompanhante do paciente, contou que a vítima teve queimaduras de 2º e 3º graus em 90% do corpo e não resistiu aos ferimentos. Ele disse que o homem morava na comunidade Restauração, em Marechal Thaumaturgo, e foi para Cruzeiro do Sul acompanhar o tratamento da mãe, que morreu em 2018. “Logo que ele chegou o médico me disse que o caso estava muito complicado e era muito difícil ele resistir. Foi gravíssimo, no corpo dele era difícil um canto que não tivesse queimadura”.
A segunda morte causada pela explosão do barco aconteceu na noite da última terça-feira, 11, no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. Marluce Silva dos Santos, de 38 anos, morreu após complicações renais e piora do quadro clínico, o que impediu a transferência dela para Minas Gerais. Ela foi velada e sepultada na segunda maior cidade do Acre durante a última quarta-feira, 12, sob forte comoção de amigos e familiares. “Desde quando me chamaram no hospital, a médica me falou que praticamente não tinha mais jeito. Um dia antes da morte ainda falei com ela na UTI e ela foi fazer hemodiálise depois disso e não resistiu”, relatou o filho da vítima, Felipe Ibernon.
Já a primeira morte causada pela tragédia foi a de Simone Souza Rocha, de 24 anos. Ela foi uma das 18 vítimas atingidas pela explosão da embarcação e morreu no dia 9 deste mês após uma parada cardiorrespiratória no Hospital Regional do Juruá. Do total de feridos no acidente, apenas oito tiveram alta da unidade de saúde em Cruzeiro do Sul e os demais seguem internados e passando por tratamento em Belo Horizonte e no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, no Distrito Federal. O dono da embarcação, Francisco Luna, de 62 anos, também está em MG.


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