O presidente Trump é o cara! Consegue a cada dia superar o dia anterior, às vezes o minuto. Não existe pessoa no mundo atualmente com a capacidade suficiente para superar o presidente americano. Na semana retrasada realizou reunião com a Coreia do Norte, outrora inimiga número um dos EUA, agora o melhor amigo. Só que Trump não poderia deixar de ser Trump. Decidiu superar o dia anterior ao transformar o passado da 2º Guerra Mundial.
Os EUA de Trump perseguem os imigrantes, de qualquer parte do mundo, que entram ilegalmente ou legalmente (ficam além do tempo concedido no visto) em seu território. Quando os imigrantes são pegos, o Serviço de Imigração separa os pais dos filhos (crianças e adolescentes) e os envia aos centros de imigração que ficam quilômetros de distantes entre si. Nos centros, as crianças são colocadas em jaulas (gaiolas) sem qualquer amparo e sem a possibilidade de comunicação com os pais. Nas gaiolas as crianças ficam esperando os julgamentos dos pais quanto à deportação. Tais julgamentos podem demorar anos e enquanto isso todos ficam separados.
A nova política do governo americano de tolerância zero com a imigração ilegal não pode ser fundamento para transformar o horror nazista dos campos de concentração. Separar filhos dos pais, crianças de 1, 2, 3 e 4 anos é maquiar o espólio nazista. A revista Time desta semana traz na capa uma criança de dois anos chorando e o presidente Trump olhando e dizendo: “Bem-vindo a América”. A imprensa já mostrou que outra criança ficou um ano sem a companhia dos pais, dentro da jaula, esperando o desfecho do julgamento. Crianças maiores cuidam das menores, inclusive trocando as fraldas. A ação americana é a cara do ódio que busca implantar com sua política de “A América primeiro”.
A sana tresloucada do presidente americano em perseguir e separar os imigrantes é a face cruel de seu governo. A outra face, também guerreira, é o conflito contra o livre mercado mundial. Parece que o êxtase do presidente só ocorre quando busca confusão, separação, desordem e desarmonia. Antes de a imprensa divulgar a política contra os imigrantes, os EUA começaram a sobretaxar produtos de diversos países, em especial da China e da Europa. Os primeiros produtos escolhidos pela equipe presidencial foram o Aço e o Alumínio. Depois vieram produtos menores da China e da Europa. Agora o presidente ameaça a Europa com a sobretaxa dos veículos exportados aos EUA, principalmente da Alemanha.
No Canadá, onde foi participar da reunião do G-7, sequer assinou o documento final e ainda ofendeu o primeiro-ministro canadense. Seu penúltimo destempero foi retirar os EUA do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) alegando que o organismo possui “viés crônico contra Israel”. Pura balela, o governo buscou na realidade sair da jurisdição do conselho para não responder pela prática do tratamento desumano contra os imigrantes, em especial pela separação das crianças e das gaiolas.
O remodelamento da visão americana do mundo é preocupante. Entender que tudo deve ou só pode ser concebido pelos EUA, prejudica a convivência com os demais parceiros de outrora. Supor que o poderia militar servirá para amedrontar os países a aceitaram suas políticas, subestima o senso comum. O mundo ainda possui a imagem do pesadelo de Auschwitz e das consequências da busca pela raça pura. Mas Trump é um ser surpreendente. Agora, em sua última ação, irá criar uma força militar espacial para proteger os EUA. Pelo que já foi divulgado, será do espaço sideral a futura ação militar. Lá de cima, das estrelas, caso necessário, os americanos irão disparar mísseis contra seus inimigos numa nova forma de guerrear, a estelar.
A situação fica a cada dia mais preocupante, pois o presidente decidiu jogar ou agir conforme seus eleitores pedem, afinal, em novembro próximo, os EUA terão eleição para renovar o Congresso e é fundamental que Trump mantenha a maioria na Câmara e no Senado.
Como tudo na vida possui começo, meio e fim, inclusive a paciência das pessoas e dos governos, as imagens das jaulas americanas com as crianças separadas dos seus pais estourou o senso comum e a paciência de todos. Uma coisa é você não querer receber imigrantes, outra bem distinta é aplicar tratamento desumano, principalmente contra crianças desprotegidas. O governo não suportou a pressão interna e externa e teve que revogar a medida de segregação para juntar as famílias enquanto aguardam os julgamentos.
Quando o presidente reduziu a alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de 35% para 21%, transformou a competitividade americana, favorecendo a indústria instalada em seu território. A consequência da reforma tributária americana foi impulsionar os demais países a reduzirem suas alíquotas a fim de manter a competitividade sem perder a indústria. Ao reduzir o imposto da empresa, o produto ficará mais barato, aumentando o consumo, gerando mais emprego e o crescimento da arrecadação. A roda gira visando o crescimento econômico e a estabilidade do emprego. Hoje a taxa de desemprego americana é a menor dos últimos tempos.
O certo é que não podemos confiar nos pensamentos do presidente americano. Sua mente parece trabalhar diariamente para desconstruir as regras, os acordos, as convenções mundiais e os organismos internacionais como a OCDE e a OMC. A ONU ainda não entrou em sua mira, mas o campo de concentração nazista foi reformulado para implantar horrores nas mentes das nossas crianças.
Marco Antonio Mourão de Oliveira, 42, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.


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