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quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Aumenta o clima de perseguição a líder camponês que defende acampados em terras devolutas entre Boca do Acre e Lábrea

“Eles são fortes e influentes”: alvo de ação judicial e ameaças, dirigente do Acampamento Marielle Franco denuncia ofensiva do latifúndio para expulsar cerca de cem famílias de terras devolutas no sul do Amazonas.

Latifundiários moveram ação de esbulho na Comarca de Lábrea (AM) contra Paulo Sérgio Araújo, líder do Acampamento Marielle Franco, na divisa entre os municípios de Boca do Acre e Lábrea.

Ao AND, Paulo Sérgio lembra que os órgãos envolvidos no acompanhamento das denúncias da comunidade contra latifundiários são majoritariamente do Estado do Acre.

Vídeo enviado por Paulo Sérgio à reportagem de AND.

O líder pediu providências no sentido de preservar a vida dele e de companheiros. “A TV e a mídia do Acre silenciam sobre a questão fundiária, fazendeiros têm acesso direto a delegados, nós, não”, afirmou.

Atribui ao delegado de Polícia Civil Pedro Rezende a acusação contra ele à Justiça em Lábrea. “Ele invadiu casas e prendeu pessoas, eu entre elas, a mando dos fazendeiros”, acusa.

Castanha e madeira são frutos da cobiça dos fazendeiros. Um deles foi diversas vezes multados por desmatamento, incluindo a derrubada de seringueiras antigas.

Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, INCRA e Polícia Federal constataram que diversas áreas em litígio na região sul desse estado são devolutas; algumas foram até arrecadadas “para reforma agrária”.

Manobras recentes contra o líder camponês dão margem, segundo ele, a suspeitas de manobras de possíveis vínculos entre os poderes Judiciário, Legislativo e outras instituições do velho Estado.

Quarta-feira à noite, Paulo Sérgio desabafou numa gravação para “redes sociais”: “Eu estou ameaçado por fazendeiros aqui da estrada de Boca do Acre, eles são fortes e influentes”.

“Até quando continuará o clima de perseguição às famílias e a sua criminalização por grileiros no poder?”

Cauteloso, procura não mencionar nomes, pois, além de ter sido preso por um período em Manaus (AM), outros companheiros da Comunidade Marielle Franco já foram baleados, espancados, e um deles cortado por facão por um paramilitar da fazenda vizinha.

Também notaram o uso permanente de drones pulverizando em lavouras, até mesmo sobre árvores ao redor.

“A ameaça de expulsão das famílias – cerca de cem – continua e muita coisa vem acontecendo, até fogo ateado do outro lado alastrou-se para o nosso, um jeito cruel de nos culparem perante o Ibama”, lamenta.

Paulo Sérgio gravou um vídeo no qual comenta a possibilidade de os latifundiários terem “costa quente” no Judiciário.

Líder de acampamento que denunciou grilagem e tortura no Amazonas é perseguido no Acre – A Nova Democracia

Preso dois anos atrás por policiais do Acre e do Amazonas, Paulo Sérgio Araújo, líder do acampamento Marielle Franco, em Lábrea (AM) denuncia: “Desde 2016 eles (latifundiários) inventam crime contra mim, o inquérito nunca fechou, nunca fui ouvido; eles mandam me prender e soltar sem mandado judicial. “Já fui ao Ministério Público, à Polícia Federal, e em tudo quanto é canto.”

Pressão

Afinal, conforme descreve, constantemente ele e outros representantes da Comunidade Marielle Franco ouvem : “Eles falam que são influentes e que têm gente dentro da justiça, que podem agir porque dispõem dos melhores advogados e ninguém deve se meter com eles”.

Recentemente, fazendeiros fecharam um ramal (estrada vicinal), a fim de impedir o trânsito das famílias.

Conforme Paulo Sérgio, essa situação já foi denunciada à Polícia Federal, que enviou agentes à área. Eles tomaram conhecimento da porteira e de ameaças aos usuários da estrada.

‘Nem conheço’

“Por último, eu fui surpreendido pelo fazendeiro dizendo que a gente tá esbulhando a fazenda dele, entendeu? Que eu nem conheço, simplesmente ele fez uma porteira num ramal que é terra pública, entendeu?” – conta Paulo Sérgio.

Além da PF, os acampados denunciaram o fato à direção do INCRA, em Brasília.

O grupo Mix, na Linha 86 86, sentido BR-317 (Boca do Acre, AM-Rio Branco, AC, Km 86, está em território acreano, e fechou a porteira.

Fonte do texto: A Nova Democracia