Com a chegada do inverno amazônico e o aumento no volume de chuvas no Acre, as unidades de saúde de Rio Branco registram um acréscimo significativo nos atendimentos a casos suspeitos de dengue.
Somente na Unidade de Pronto de Atendimento Franco Silva, a UPA da Sobral, 102 atendimentos a casos suspeitos da doença foram realizados entre segunda, 7, e quarta-feira, 9. A intensificação de casos suspeitos ocorre desde novembro de 2018.
Sandréia Maia, coordenadora da Vigilância Epidemiológica da UPA da Sobral, conta que somente em dezembro do ano passado, 473 pessoas deram entrada na unidade com febre alta, dor de cabeça, dores nas articulações e ossos, tonturas, cansaço, náuseas ou vômitos, dor nos olhos, perda de paladar e apetite, tonturas e manchas no corpo, sintomas da doença. Ela ressalta que até outubro a média de atendimentos de casos suspeitos era de 70 por mês.
“Esse aumento continua no início deste ano. Do dia 1º até agora, a média de notificações de casos suspeitos de dengue chega a 25 por dia. Isso é o que chamamos de período sazonal [um ciclo de tempo em que há muitas notificações em relação a uma doença]. Geralmente esse ciclo sazonal acompanha o período chuvoso e dura até o mês de março. Depois de março percebemos que essas notificações começar a sofrer uma queda”, explica Sandréia Maia.
Foi com dores nas articulações, vômitos, febre, dor de cabeça e nos olhos que a auxiliar de serviços gerais Maria Gilda da Silva foi procurar atendimento na UPA da Sobral na quarta-feira. Há dois dias com os sintomas, ela suspeitou da doença e foi atrás de tratamento. “Nunca tinha sentido isso, mas já sabia dos sintomas da dengue e resolvi vir logo para a situação não ficar pior. Até sem sensibilidade nas mãos estou. Se mexer os dedos, a dor é imensa”, reclamou.

De acordo com a Vigilância Epidemiológica da Secretária Municipal de Saúde (Semsa) de Rio Branco, em dezembro de 2018 houve um aumento de 70% das notificações de casos na cidade em comparação com o mesmo período de 2017.
Socorro Martins, coordenadora da Vigilância, explica que os dados ainda não estão consolidados, o que pode fazer com que esse índice aumente. “Até sexta-feira devemos concluir o levantamento com os dados completos”.

Ações intensificadas
Diante da situação, a Prefeitura de Rio Branco intensificou as ações em combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, na cidade. Uma das estratégias adotadas pelo Executivo Municipal são os arrastões nos bairros. Bloqueio do vetor, pit stop e blitz educativas diariamente são levadas aos bairros de acordo com a programação definida. Na quarta-feira, por exemplo, os bairros da Regional do Calafate receberam o mutirão.
Além disso, os agentes de endemias e agentes comunitários de saúde mobilizados para os arrastões orientam os moradores sobre como evitar o acumulo de água em garrafas d’água, vasos de plantas e outros objetos que possam servir de criadouro para o mosquito. Os profissionais também fazem buscas ativas por caixas d’água sem tampa e pequenos objetos que acumulem água para fazer a limpeza dos locais e evitar a proliferação das larvas do Aedes.

Cuidados
Para evitar a doença, a melhor forma de prevenção é dificultar a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Eliminar água armazenada como em vasos de plantas, galões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas, é o caminho para evitar o criadouro do mosquito. A limpeza constante de quintais e a remoção de lixos e entulhos também evita criadouros.
Usar roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia – quando os mosquitos são mais ativos – pode proporcionar proteção às picadas e pode ser uma das medidas adotadas, principalmente em épocas que há surtos. Repelentes e inseticidas também podem ser usados, sempre seguindo as instruções do rótulo, para afastar o mosquito transmissor das doenças e evitar contaminação. Mosquiteiros proporcionam proteção para crianças, jovens e adultos.


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